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Movimento das Baratas: Oposição da Índia marcha até a Suprema Corte

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Movimento das Baratas: Oposição da Índia marcha até a Suprema Corte

Centenas de manifestantes de partidos de oposição marcharam até a Suprema Corte da Índia nesta segunda-feira (12) para protestar contra a remoção de milhões de nomes das listas de eleitores — medida que provocou dias de agitação na capital indiana e desafiou o primeiro-ministro Narendra Modi.

Partidos de oposição e apoiadores do movimento juvenil “das baratas” têm saído às ruas quase diariamente neste mês para exigir a renúncia do Comissário-Chefe Eleitoral, Gyanesh Kumar, devido à revisão que, segundo críticos, beneficia o partido BJP (Bharatiya Janata), de Modi.

A mudança, iniciada no ano passado, resultou na exclusão de mais de 130 milhões de nomes — um número superior à população do Japão — das listas de eleitores, incluindo 28 milhões de pessoas falecidas, 63 milhões que haviam mudado de residência e 30 milhões que não puderam ser localizadas.

A polícia deteve milhares de manifestantes durante o fim de semana, incluindo líderes do CJP (Cockroach Janta Party”), quando apoiadores do movimento juvenil tentaram marchar em protesto e foram barrados por milhares de agentes de segurança que isolaram o centro de Nova Délhi.

A Comissão Eleitoral negou favorecer qualquer partido e afirmou que eleitores excluídos indevidamente podem se recadastrar; por sua vez, o BJP acusou seus rivais de tentarem minar a democracia do país ao questionar indevidamente processos eleitorais legítimos.

Partidos de oposição estão marchando até a Suprema Corte para protocolar uma petição sobre a revisão da lista de eleitores, depois que o presidente do tribunal, Surya Kant, recusou o pedido deles para uma reunião.

Kant afirmou que as questões já estavam sendo analisadas pelo tribunal e que discutir casos pendentes violaria a ética e a conduta judicial, sugerindo que a oposição apresentasse uma petição formal.

Centenas de pessoas, incluindo membros de partidos de oposição e grupos estudantis de esquerda, marcharam até o tribunal nesta segunda-feira, enquanto os líderes fizeram o trajeto de ônibus.

“Os valores fundamentais deste país estão sendo atacados, as instituições estão perdendo sua independência… Estou aqui para protestar contra esse ataque”, disse Anirudh Siyag, um doutorando que participou do protesto.

As autoridades fecharam seis estações de metrô por 10 horas e restringiram o tráfego em mais de 20 trechos devido à manifestação.

Centenas de agentes de segurança com equipamentos de choque também foram mobilizados no centro de Nova Délhi, com vias principais bloqueadas por barricadas e canhões de água de prontidão.

Novos locais para protestos

O BJP (Bharatiya Janata) afirmou que os protestos representavam uma tentativa do principal partido de oposição, o Congresso, de tomar o poder.

“Ao desacreditar instituições constitucionais, espalhar o caos e tumultos nas ruas e atacar pessoas em nome da política, tudo o que buscam é o retorno ao poder”, disse o ministro da Agricultura, Shivraj Singh Chouhan, a jornalistas.

A Polícia de Nova Délhi anunciou que Jantar Mantar, no centro financeiro da cidade, não estava mais designado como local oficial para protestos e que três novos locais haviam sido identificados, segundo uma ordem oficial à qual a agência de notícias Reuters teve acesso.

Apoiadores do CJP (Cockroach Janta Party”) realizaram um protesto com ocupação durante semanas, no início deste ano, em Jantar Mantar — um observatório histórico e local de protestos conhecido há décadas — para pressionar o ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, a renunciar devido a vazamentos de provas de exames.

Paralelamente, líderes do CJP reuniram-se com a Polícia de Nova Délhi para “exigir” uma data para um protesto pacífico, ameaçando convocar uma nova manifestação caso uma data não fosse definida em até 24 horas.

O movimento juvenil, que tem mobilizado protestos nos últimos meses em torno de questões que vão desde a infraestrutura de escolas públicas até a oferta de empregos, representa um dos maiores desafios políticos para Modi e seu partido, o BJP, em seus 12 anos no poder.

Os protestos eclodiram depois que o jornal “Indian Express” noticiou, no mês passado, que dois vice-diretores de Kumar haviam levantado diversas preocupações internamente sobre revisões nas listas de eleitores, procedimentos de registro e sistemas digitais.

Partidos de oposição alegam que eleitores muçulmanos e outras minorias — que dificilmente apoiariam o partido governista nacionalista hindu — são afetados de forma desproporcional pelas exclusões; acusações que tanto a comissão eleitoral quanto o BJP rejeitam.

O que é o movimento “das baratas” da Índia, que levou milhares às ruas

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