A Semana de Moda de Paris chegou ao fim no último dia 6 de outubro deixando uma mensagem central: ela não está centrada em uma cor específica ou em uma barra de saia.
Para a stylist Katharina Taylor, que acompanhou de perto as apresentações na capital francesa, o fio condutor das coleções para 20227 foi a construção de uma imagem a partir do contraste.
À CNN Brasil, ela destaca que o cenário que se desenha para o próximo ano é pautado pelo choque entre universos opostos, combinando funcionalidade, dramaticidade e novas silhuetas.
“O que se anuncia é um encontro entre o sportswear sofisticado, como nos corta-ventos em tons pastel da Stella McCartney, e a delicadeza da renda com transparência, marcante na Dior de Jonathan Anderson”, observa Katharina.
Texturas, movimento e cartela de cores
Além da fusão de estilos, a temporada parisiense também consagrou o desejo por texturas dinâmicas. Segundo a stylist, elementos como animal print, efeito molhado — visto na Balmain — cintura baixa, volumes esculturais e uma estética boho — menos romântica e mais sexy — foram pontos altos nas passarelas.
Na cartela de cores, a base neutra e sóbria dominou o plano de fundo, abrindo espaço para pontos de cor vibrantes: bases clássicas (navy, camel, burgundy, marrom e preto) e pontos de destaque (cherry red, amarelo manteiga, roxo e chartreuse).
Identidade e bastidores das grandes maisons
Para Katharina, o diferencial da edição esteve na maneira como cada casa de moda imprimiu personalidade a esses elementos comuns.
Na Mugler, a silhueta tradicional da marca ganhou nova temperatura com superfícies que remetem a plumagens e pelagens.
Enquanto isso, Daniel Roseberry, diretor criativo da Schiaparelli reduziu a ostentação do ouro para focar na precisão do corte, preservando o DNA da maison.
Em Matières Fécales, corseteria, elementos punk e o trabalho artesanal estruturaram um discurso de forte apelo político.
Por fim, a Saint Laurent, em meio a rumores sobre a saída de Anthony Vaccarello, manteve-se fiel ao estilo do estilista e da marca, utilizando tons dourados para conferir um tom de despedida à apresentação.
O ápice na Valentino e a nova provocação do styling
Sob o comando de Alessandro Michele, o desfile da Valentino é apontada por Taylor como o momento em que todas as provocações da temporada se organizaram.
“A composição de um tomara que caia roxo com saia balonê plissada e botas florais, arrematada por uma faixa de renda dourada na cintura, traduz com precisão o ponto de Michele: nada combina com nada e, ainda assim, nas mãos dele, o conjunto se resolve em perfeita harmonia”, analisa.
Por fim, a stylist conclui que o olhar do mercado se volta cada vez menos para itens isolados e mais para a construção de narrativas visuais.
“Saio de Paris menos interessada em ‘peças da temporada’ e mais atenta às relações entre elas. Styling talvez seja menos sobre fazer tudo combinar e mais sobre procurar o ponto exato em que a quebra de harmonia se transforma em identidade”.
Paris Fashion Week: as três novas modelos brasileiras que desfilaram

