A nova composição do Congresso Nacional, que terá início em fevereiro de 2027, reconfigurou o xadrez interno para as eleições dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. O centrão ligou o sinal amarelo enquanto a direita passou a ter expectativa de comandar as duas Casas a partir da próxima legislatura.
As eleições para os postos serão realizadas em 1º de fevereiro do ano que vem, quando os novos deputados e senadores tomarão posse. O cenário mais sensível até agora é a eleição para o Senado. O atual presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre (União-AP), busca a reeleição, mas terá menos aliados para enfrentar um adversário com uma oposição maior do que tinha em 2025, quando foi eleito para chefiar o Congresso.
Alcolumbre foi escolhido para presidir a Casa com 73 votos dos 81 possíveis. Naquela ocasião, o PL tinha 14 senadores e apenas quatro votaram pelo senador Marcos Pontes (PL-SP). O outro adversário foi Eduardo Girão (Novo-CE), que também teve quatro votos. Agora, porém, o cenário mudou.
O PL já sinalizou que terá Rogério Marinho (RN) ou Tereza Cristina (PP) como candidatos à presidência do Senado. O senador é coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e contará com um cenário muito mais favorável caso seja lançado pelo partido. Isso porque a sigla terá, a partir da próxima legislatura, 29 cadeiras, precisando somar apenas mais 12 votos para garantir o comando da Casa.
Alguns senadores que não estão no PL, mas também tiveram suporte da família Bolsonaro, devem ser base de apoio do partido. São os casos de Marcel Van Hattem (Novo-SC), Deltan Dallagnol (Novo-PR), Mara Rocha (MDB-AC) e Arthur Lira (PP-AL).
O cálculo no PL também envolve o segundo turno da eleição presidencial. Se Flávio ganhar, a tendência é que o partido acumule ainda mais força e atraia para si o centro gravitacional dos apoios.
A expectativa é que os partidos que embarcaram na campanha do bolsonarista no segundo turno, como PP e Republicanos, ganhem cargos na Esplanada dos Ministérios e tenham a aproximação com o PL como estratégica para aprovar projetos.
Alcolumbre mapeia votos
Já Alcolumbre passou a mapear os votos que precisa para conseguir se reeleger ao posto de presidente do Senado. O parlamentar deve ter apoio do seu próprio partido, União Brasil, que tem cinco senadores, e tentará ganhar votos de outros partidos do centro que não declararam apoio aberto à Flávio Bolsonaro no segundo turno, como o PSD (com cinco senadores) e MDB (com 8 senadores).
Além dessas siglas, a tendência é que o atual presidente da Casa também receba votos dos partidos que estão à esquerda de sua sigla: PT (nove senadores), PSB (quatro senadores), Rede e PDT (um senador cada).
Pela segunda legislatura seguida, a federação governista não deve ter candidato próprio e deve apoiar Alcolumbre na Casa. O mesmo cenário se repete na Câmara, com apoio ao atual presidente Hugo Motta (Republicanos-PB).
Câmara deve ter disputa menos acirrada
A tarefa de Motta para a reeleição também pode não ser tranquila. Em 2025, ele recebeu 444 votos e o apoio de um bloco formado por 17 partidos: PL, PT, PCdoB, PV, União, PP, Republicanos, PSD, MDB, PDT, PSDB, Cidadania, PSB, Podemos, Avante, Solidariedade e PRD.
Nas eleições deste ano, o PL conseguiu eleger 121 deputados à Casa Baixa e passou a ventilar o nome de Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara, para disputar a presidência. A sigla precisaria de outros 136 votos para garantir a vitória em primeiro turno. A diferença em relação ao Senado é que o Republicanos tem Motta como candidato à reeleição na Câmara e não migraria os votos para o deputado bolsonarista.
Nesse cenário, Motta garantiria 41 votos, além do apoio da federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e MDB. Sozinhos, esses partidos têm 165 votos, além de outros grupos mais ligados à esquerda, como PSB (15 deputados) e PDT (6 deputados).
Na última disputa, Motta concorreu com os deputados Marcel Van Hattem, que recebeu 32 votos, e Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ), que teve 22 votos. Outros dois votos foram em branco.
Cargos de peso
Ocupar a presidência das duas Casas garante aos partidos a escolha de pautar projetos no plenário, acelerar a tramitação de projetos de lei e emendas constitucionais, além de definir a relatoria dos textos em discussão.
O presidente do Senado acumula ainda mais força, porque também comanda o Congresso Nacional e pode convocar sessões conjuntas entre deputados e senadores.
Ele também determina a abertura de pedidos de impeachment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), considerada, hoje, a principal pauta da direita no Parlamento. Apenas o ministro Alexandre de Moraes acumula 55 pedidos de afastamento do Supremo.

