O ministro Alexandre de Moraes autorizou, nesta segunda-feira (12), que Flávio Bolsonaro (PL) retome as visitas ao pai, Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena em prisão domiciliar. Segundo o analista de Política Teo Cury, as últimas decisões do STF miram evitar uma ofensiva contra os ministros da Corte.
“Depois do primeiro turno, a gente viu decisões tanto de Alexandre de Moraes quanto de Gilmar Mendes que foram lidas por integrantes do Partido Liberal como acenos aos senadores eleitos e à campanha de Flávio Bolsonaro”, afirmou Cury durante o Live CNN desta segunda-feira.
A decisão ocorre após parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República) e em meio a um cenário de crescente tensão política envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal).
A proibição das visitas havia sido imposta após Flávio Bolsonaro ler publicamente, no dia 11 de julho, uma carta escrita pelo pai. O documento, intitulado “Carta aos brasileiros” e datado de Brasília, 11 de julho de 2026, convocava apoiadores a deixar diferenças de lado e apoiar a candidatura do filho à Presidência da República.
Na carta, Jair Bolsonaro descreveu Flávio como “a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”, além de chamá-lo de “meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”.
Além da autorização das visitas, Alexandre de Moraes também autorizou a progressão de pena de Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do Batom”, que passou do regime fechado para o semiaberto, e arquivou investigações contra integrantes da direita bolsonarista, como Marcos Do Val, Oswaldo Eustáquio e Allan dos Santos.
Já Gilmar Mendes arquivou uma investigação sobre suposto estupro de menor de idade envolvendo Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro.
Na avaliação de Teo Cury, essas movimentações indicam que o STF busca conter uma ofensiva que se desenha contra seus ministros.
Senadores eleitos no domingo passado prometeram apresentar pedidos de impeachment contra ministros da Corte, sendo Alexandre de Moraes o principal alvo.
Os parlamentares alegam uma série de erros e excessos na condução de processos por Moraes ao longo dos últimos anos.
Revisão criminal e possível liberdade provisória
Outro elemento que alimenta as especulações é o movimento do ministro Kassio Nunes Marques, que afirmou que pretende colocar em votação, após o segundo turno, um pedido de liberdade provisória de Jair Bolsonaro, além de uma discussão sobre a condenação de 27 anos e 3 meses de prisão imposta pela Primeira Turma do STF.
O processo tramitaria sob a forma de revisão criminal e poderia culminar, no limite, na concessão de liberdade provisória ao ex-presidente. “Isso acaba gerando um monte de especulações, discussões e tensões em alas opostas do Supremo”, destacou Cury.
Somando-se a esse cenário, Flávio Bolsonaro prometeu, caso eleito presidente da República, apresentar um indulto para perdoar os crimes cometidos pelo pai, com o objetivo de limpar sua ficha criminal.
O candidato chegou a afirmar que, se eleito, seria o próprio Jair Bolsonaro quem lhe entregaria a faixa presidencial — embora o ex-presidente esteja atualmente preso e cumprindo pena em regime domiciliar.

