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Principal adversário de Netanyahu perdeu três parentes na guerra em Gaza

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Principal adversário de Netanyahu perdeu três parentes na guerra em Gaza

Os eleitores israelenses vão às urnas no dia 27 de outubro para escolher o próximo governo do país, na primeira eleição desde o ataque do Hamas em 2023 e em meio à instabilidade causada por conflitos na região. O principal adversário do premiê Benjamin Netanyahu na disputa é Gadi Eisenkot, um ex-chefe das Forças de Defesa de Israel que perdeu três familiares na guerra em Gaza.

Eisenkot era ministro do governo Netanyahu e integrava o gabinete de guerra até 2024. Após um ano de conflito, o ex-chefe militar deixou o governo e passou a criticar sua conduta por falta de uma estratégia clara para Gaza. Em seguida, fundou o Yashar, o partido de centro-direita que disputa a liderança das pesquisas com o Likud, partido de direita de Netanyahu.

Eisenkot tem ganhado espaço por sua legitimidade nos discursos contra as ações de Netanyahu no campo militar e os impactos diretos em sua vida pessoal.

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O filho dele, Gal Eisenkot, de 25 anos, era soldado do 699º Batalhão da 551ª Brigada de Comando de Reserva e morreu em combate no norte de Gaza, após o início do conflito contra o Hamas, segundo as Forças de Defesa de Israel.

“Nós continuaremos sendo uma família unida e feliz para que o seu sacrifício não tenha sido em vão”, afirmou Eisenkot durante o funeral do filho. “Faremos tudo para sermos dignos dele e para tomarmos as decisões corretas em nome daqueles que se sacrificaram, de seus companheiros de armas e de todo o povo de Israel.”

O ex-Chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (FDI), Tenente-General (da reserva) Gadi Eisenkot (ao centro), abraça familiares e amigos durante o funeral do Primeiro-Sargento-Major Gal Meir Eisenkot (25 anos), no cemitério de Herzliya, em 8 de dezembro de 2023, em Herzliya, Israel • Foto de Alexi J. Rosenfeld/Getty Images

Além do filho, Eisenkot também perdeu dois sobrinhos na guerra em Gaza, o sargento Maor Cohen Eisenkot e o capitão Yogev Pazy.

Descendente de imigrantes marroquinos, Eisenkot projeta a imagem de um militar de carreira e outsider da política, buscando contrastar com as décadas de Netanyahu no poder. Ao mesmo tempo, a imagem de um pai em luto pelo filho também diverge diretamente da família do premiê.

Yair Netanyahu, filho do atual premiê, não serviu como reservista das Forças de Defesa de Israel durante a guerra. Ele mora nos Estados Unidos e protagonizou uma série de escândalos públicos envolvendo strippers, um acordo bilionário de petróleo e privilégios de segurança.

“[O fato de Eisenkot ter perdido familiares na guerra] aumenta a empatia que a população tem pela figura dele. Ele não é visto como um político tradicional porque é pouco carismático, muito objetivo. Mas é um sujeito com quem boa parte da população se identifica, justamente por não ser visto como um político tradicional”, afirma João Koatz Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv.

Daniella Goldstein, de 24 anos, estudante universitária e ex-instrutora de paraquedismo das FDI (Forças de Defesa de Israel), destaca a experiência de Eisenkot como um fator que o distingue diretamente de Netanyahu: “Ele sentiu na pele o preço horrendo desse desastre, na própria família. Ele vem de um lugar muito mais modesto e respeitado. A estratégia de segurança dele é baseada em resultados militares”, afirma.

Rami Ben Ari, de 60 anos, funcionário do setor de tecnologia, não pretende votar pelo Yashar, mas também vê a tragédia pessoal de Eisenkot como algo que o aproxima da população israelense: “Para ser sincero, Eisenkot é mais um general; ele realmente não é alguém com quem eu me identifique. No entanto, vejo-o como uma pessoa fundamentalmente decente e íntegra. […] Ele pagou o maior preço quando seu filho e dois sobrinhos morreram em combate em Gaza. Por isso, confio que ele faria tudo ao seu alcance para garantir a segurança das pessoas, ao mesmo tempo em que buscaria genuinamente o diálogo e soluções diplomáticas, em vez de uma guerra interminável”, diz ele.

Apesar disso, João Miragaya avalia que Eisenkot não explorou a tragédia familiar na campanha, uma vez que a perda do filho e dos sobrinhos já tinha sido amplamente divulgada pela mídia israelense. Por outro lado, a campanha do Likud, partido de Netanyahu, gerou revolta ao publicar um anúncio aparentemente referindo-se ao filho do líder do Yashar.

Uma propaganda gerada por inteligência artificial e postada na conta de Benjamin Netanyahu no X, em julho, mostra Eisenkot correndo de braços abertos em direção a um garoto jovem em um campo florido. O garoto também corre em direção ao abraço, usando uma camiseta que diz “Unidos por Israel”. No último momento, no entanto, a figura de Eisenkot passa reto pelo jovem e abraça Mansour Abbas, líder do partido Lista Árabe Unida no Knesset, o parlamento de Israel.

Internautas apontaram a suposta semelhança física do garoto criado por IA com Gal Eisenkot, o filho do ex-general que foi morto em Gaza. Um porta-voz do Likud negou que o garoto fosse uma referência ao filho de Eisenkot, mas o partido alterou o anúncio para uma nova versão, substituindo o jovem no vídeo de IA por uma mulher.

גדי, זה לא ישר pic.twitter.com/awy47dINmq

— Benjamin Netanyahu – בנימין נתניהו (@netanyahu) July 20, 2026

Para além da vida pessoal, fatores ligados à guerra em Gaza também moldam algumas das principais propostas de Eisenkot para o próximo governo. Ele defende, por exemplo, o alistamento militar obrigatório universal, incluindo para os judeus ultraortodoxos. O recrutamento dos Haredi tem sido um dos pontos mais sensíveis de debate da política israelense nos últimos anos.

O partido de Netanyahu, o Likud, pressionou pela isenção do alistamento obrigatório para ultraortodoxos, mas a lei foi derrubada pela Suprema Corte logo após ser aprovada pelo Parlamento.

Eisenkot também pressiona pela criação de uma comissão de inquérito sobre os eventos ligados ao ataque de 7 de Outubro do Hamas contra Israel. Os questionamentos sobre o ataque que matou mais de 1.200 israelenses e fez mais de 250 reféns voltaram à tona às vésperas da eleição, em meio a relatos de que Netanyahu teria sido avisado sobre a ameaça do Hamas dias antes dos combatentes palestinos cruzarem a fronteira. O primeiro-ministro nega as alegações e as classifica como “mentiras absolutas”.

Apesar das críticas de Eisenkot à condução do governo Netanyahu da guerra em Gaza, o líder do Yashar não deve suavizar a política regional de Israel se conseguir chegar o governo: o general foi uma figura central na elaboração da estratégia militar israelense de uso de força massiva, inclusive contra infraestrutura civil, como forma de dissuasão após a guerra do Líbano de 2006, além de ter participado do planejamento estratégico no início da guerra contra o Hamas.

Em entrevista à CNN, Anshel Pfeffer, correspondente de Israel para a The Economist e autor de uma biografia de Benjamin Netanyahu, disse que Eisenkot é o primeiro político em muitos anos que aposta na estratégia de construir uma imagem totalmente oposta a Bibi para tentar derrotá-lo. “Em questão de personalidade, ele é diferente”, afirmou Pfeffer à CNN, “mas, em termos de política, não é tão claro assim”.

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