Em meio ao elevado nível de endividamento da população brasileira, preparar as novas gerações para desenvolver uma relação mais saudável com o dinheiro torna-se cada vez mais urgente.
Em entrevista ao CNN Money, Yuri Freitas, do UBS Global Wealth Management, destacou que envolver os jovens nas decisões financeiras da família é um passo fundamental para iniciar esse processo.
Para Freitas, é essencial distinguir conhecimento financeiro de comportamento financeiro. Segundo ele, embora transmitir conceitos como inflação, IPCA e tributação seja importante, as crianças absorvem desde muito cedo as mensagens implícitas que os pais transmitem.
“Desde como essa família lida com momentos de crise, como esse pai se comporta com tomada de risco, se esses pais têm o perfil de poupar — tem muito na relação entre pais e filhos que não é dito”, afirmou.
O papel da família e das escolas
Freitas recomendou que os pais introduzam gradualmente os filhos no diálogo financeiro, começando por valores e princípios, passando pelo estilo de vida da família e pelo senso de responsabilidade, até chegar a estruturas e conceitos financeiros mais concretos.
Ele também ressaltou o papel das escolas nesse processo. “Se a gente pudesse contar também com o apoio das escolas… se as famílias não são capazes de prover esse conhecimento, as escolas têm um papel importantíssimo, sim”, declarou.
Quando iniciar o aprendizado técnico
Questionado sobre o momento ideal para introduzir conceitos mais técnicos de mercado financeiro, Freitas indicou a faixa etária entre 13 e 17 anos como a mais adequada.
“Claro que não tem uma regra fixa. Acho que cada criança vai ter um grau de maturidade para lidar com isso, mas eu arriscaria dizer que entre os 13 e 17 anos seria o momento ideal para começar a introduzir esse tipo de conceito”, disse.
Ele sugeriu, por exemplo, o uso de carteiras fictícias de investimentos para que os jovens possam acompanhar o mercado e aprender a lidar com eventuais perdas.
Freitas também defendeu a prática da mesada como ferramenta pedagógica, associando-a a escolhas concretas e até a doações, caso esse seja um valor cultivado pela família.
Para ele, a autonomia financeira deve ser construída de forma gradual: “Você sai de uma posição de controlar todas as decisões para um cenário em que ainda toma decisão, mas envolve a criança na tomada da decisão. Na sequência, você vai aceitar sugestões dela e vai deixar — é importante às vezes ela tomar uma decisão e perder dinheiro, pois o próprio equívoco traz um aprendizado em si.”
Falta de conhecimento como raiz do endividamento
Ao ser questionado sobre o que mais contribui para o endividamento da população brasileira — se a falta de conhecimento ou o comportamento deficitário —, Freitas foi direto.
“A falta de conhecimento é a base para você mudar o comportamento. E hoje falta essa base. Sem dúvida nenhuma, o conhecimento hoje é o que mais me preocupa, a falta dele.” Para o especialista, sem essa base comum, torna-se difícil avançar na discussão sobre saúde financeira no país.
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