Uma investigação preliminar apontou que o suposto sequestrador do voo da Flydubai planejava lançar o avião contra o Aeroporto Ben Gurion, perto de Tel Aviv, inspirado pelos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos.
Hamam al-Hammami, suspeito da tentativa de sequestro e copiloto do voo que fazia a rota de Dubai a Tel Aviv na semana passada, queria perpetrar um ataque semelhante ao de 11 de setembro de 2001 — evento que o motivou a seguir carreira na aviação —, segundo um comunicado do procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos.
“A ideia de realizar uma operação semelhante utilizando uma aeronave firmou-se em sua mente; algo que, segundo suas confissões, esteve ligado à sua decisão de dedicar-se à aviação”, apontou o comunicado.
Cerca de 3.000 pessoas perderam a vida nos atentados de 11 de setembro, após o sequestro de quatro aviões comerciais que foram lançados contra três alvos nos Estados Unidos.
O piloto também pretendia executar “um plano premeditado com fins terroristas, destinado a assumir o controle da aeronave e utilizá-la para perpetrar um ataque suicida contra o terminal de passageiros do Aeroporto Ben Gurion”, com o objetivo de causar “o maior número possível de vítimas”, acrescentou a nota.
A investigação inicial também destacou que o voo de 30 de setembro não era o primeiro que al-Hammami realizava para Tel Aviv.
Anteriormente, ele havia participado de dois voos para o Aeroporto Ben Gurion para se familiarizar com a rota e as instalações aeroportuárias, como preparação para o ataque, ainda segundo a apuração.
Um funcionário e uma fonte de Israel a par do assunto haviam declarado anteriormente à CNN que o suposto sequestrador provavelmente tinha como alvo o referido aeroporto, a principal porta de entrada internacional do país.
Al-Hammami, de 29 anos, foi detido graças à intervenção do comandante e de vários passageiros, que conseguiram imobilizá-lo e retomar o controle da aeronave.
Antecedentes do suspeito do ataque
A investigação revelou que Al-Hammami começou a se voltar para o extremismo e o terrorismo em 2017, enquanto estudava na Austrália. Ele foi influenciado por publicações extremistas e conteúdos online que glorificavam grupos terroristas e ataques suicidas.
O comunicado informou que ele “se preparou psicológica e fisicamente para executar seu plano, aumentando sua exposição a material que incitava ao terrorismo e treinando boxe com um instrutor particular”.
Anteriormente, ele trabalhou para a Oman Air entre 2020 e 2024, antes de ingressar na Royal Air Maroc em 2025; atuou na companhia aérea marroquina por vários meses antes de passar para a Flydubai em janeiro de 2026, segundo o comunicado dos Emirados Árabes Unidos.
Uma fonte declarou anteriormente à CNN que o suspeito foi afastado do treinamento de voo na Oman Air devido a preocupações com suas opiniões radicais, sendo designado para outra função na companhia aérea omanense.
Em declaração à Associated Press na semana passada, a Air Maroc informou que o suspeito passou por um treinamento com a companhia aérea durante três meses em 2025, como parte do processo de seleção pré-contratação, mas não foi selecionado.
As investigações dos Emirados Árabes Unidos também analisaram os procedimentos de contratação da Flydubai em relação ao suspeito.
A investigação constatou que Al-Hammami atendia aos requisitos profissionais e de segurança para ser contratado, incluindo a posse de licença de piloto e certificado de bons antecedentes, além de ter sido aprovado nos exames necessários.
“Não surgiram indícios durante esses procedimentos que revelassem suas inclinações extremistas ou sua intenção de executar um complô terrorista”, afirmou o procurador-geral Al Shamsi, segundo a mídia estatal.
Al-Hammami declarou às autoridades que agiu sozinho, embora as investigações sobre essa afirmação continuem, observou o procurador-geral.
As autoridades continuam investigando as provas e o possível envolvimento de outras pessoas, além de analisar gravações e relatórios técnicos, segundo informou a mídia estatal dos Emirados.

