Isoladas em um tanque há mais de uma década, sem qualquer presença masculina por perto, fêmeas de uma espécie de peixe surpreenderam cientistas ao conceberem descendentes sozinhas.
O caso surreal registrado no Aquário Cala Gonone, na ilha da Sardenha, atesta a partenogênese facultativa no cação-liso (Mustelus mustelus), um mecanismo surpreendente em que o óvulo se desenvolve sem ser fecundado.
A descoberta, detalhada por pesquisadores do Instituto Zooprofilático Experimental do Piemonte, mostra como a natureza encontra caminhos inacreditáveis para garantir a continuidade da vida.
O mistério do nascimento virginal na Sardenha
O fenômeno assexuado começou a chamar a atenção da equipe biológica em 2016, quando o primeiro filhote surgiu no recinto das duas fêmeas de cação-liso.
Nos anos seguintes, a cena curiosa voltou a se repetir com novos nascimentos registrados sucessivamente. Ao realizar exames de DNA nos recém-nascidos, os biólogos confirmaram que as proles carregavam carga genética idêntica à de suas mães.
Com a palavra derivada do grego para nascimento virginal, o processo dispensa completamente a presença de espermatozoides para dar origem a um novo indivíduo.
Um trunfo de sobrevivência em oceanos ameaçados
Apesar de ser uma estratégia rara entre animais vertebrados, a partenogênese já foi documentada em répteis, anfíbios e em outros peixes, a exemplo do tubarão-zebra e do tubarão-bambu.
A grande novidade no caso do cação-liso é a comprovação de que essa flexibilidade reprodutiva ocorre de forma facultativa, intercalando-se anualmente entre as duas moradoras do aquário italiano.
Como a espécie encontra-se classificada como ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza, essa capacidade de auto geração surge como uma resposta biológica importante para manter a linhagem viva quando os machos escasseiam na natureza.
