Voltar para checar se a porta está trancada minutos após ter saído de casa é um comportamento recorrente que pode indicar algo além do esquecimento. Em diversas situações, a causa primária dessa checagem repetitiva não é a falta de atenção, mas sim a dificuldade de tolerar a incerteza.
Ao realizar a verificação, a pessoa experimenta um alívio imediato da ansiedade e uma sensação momentânea de segurança. Contudo, quando essa ação se repete com frequência, o cérebro passa a depender desse mecanismo para recuperar o bem-estar, consolidando um ciclo composto por dúvida, ansiedade, verificação, alívio temporário e o surgimento de uma nova dúvida.
Ansiedade, TOC e quando buscar ajuda
Esse padrão comportamental pode se manifestar em quadros de ansiedade e em apresentações do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). No entanto, a psicologia pondera que conferir algo várias vezes de forma isolada não significa que a pessoa tenha um transtorno psicológico.
A necessidade de atenção clínica surge no momento em que essa busca por segurança passa a controlar a rotina do indivíduo.
O acompanhamento por meio da psicoterapia, sobretudo na Abordagem Cognitivo-Comportamental (TCC), permite mapear os gatilhos das verificações, compreender os fatores de manutenção do hábito e desenvolver a tolerância à incerteza.
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Nos casos caracterizados como TOC, a técnica de Exposição e Prevenção de Resposta (EPR) destaca-se como uma intervenção com respaldo científico. A abordagem orienta a pessoa a enfrentar situações que provocam ansiedade sem recorrer automaticamente às compulsões.
O objetivo final do tratamento não é abandonar os cuidados básicos do dia a dia, mas sim restabelecer a liberdade de agir sem a dependência contínua de garantias.
*Publicado por Beto Souza da CNN Brasil

