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Flávio acusa Lula de receber propina após áudio divulgado por revista

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Flávio acusa Lula de receber propina após áudio divulgado por revista

O candidato ao Palácio do Planalto Flávio Bolsonaro (PL) acusou, nesta sexta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de receber propina de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para a realização de um filme biográfico.

A declaração, que ocorreu durante um almoço com o candidato ao governo do Rio de Janeiro Douglas Ruas (PL), faz referência a um áudio divulgado pela revista Veja, no qual o ex-banqueiro diz ter havido tratativas de um financiamento para um longa sobre Lula.

“Eu fui injustiçado. Vocês não sabem como é difícil disputar um cargo público tomando tanta pancada com mentira. Muita gente me pré-julgou porque eu fui pedir um patrocínio para um empresário para um filme privado sobre o ex-presidente Bolsonaro, sem nenhum tipo de contrapartida, por eu ser senador da República”, declarou Flávio à imprensa.

E completou: “E o que nós vimos agora, com um áudio do próprio Vocaro, dizendo o que sempre falei no dia um: ‘Com o filme do Bolsonaro não tem nada de errado. Já com o filme do Lula, foi dinheiro por fora’. Esse cara recebeu propina. Então, o Bolsonaro pediu patrocínio e o Lula pediu propina”.

Quando Flávio diz que foi “injustiçado”, ele se refere a uma reportagem do site Intercept Brasil, que divulgou áudios do senador negociando um repasse de R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Flávio, inclusive, é investigado no STF (Supremo Tribunal Federal) após a PF (Polícia Federal) ter dado início à apuração sobre a origem do financiamento para “Dark Horse”.

Lula também criticou o filho de Jair Bolsonaro em passeata nesta sexta-feira (9) e disse que “esse país não será governado pelo sócio do Banco Master”. No entanto, ele não especificou quem seria o tal “sócio” da extinta instituição financeira.

Entenda o caso

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou ter negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto pagamentos em troca de acesso aos cofres dos fundos de pensão de servidores federais.

Mensagens e documentos obtidos pela revista Veja mostram que o empresário teria pago R$ 30 milhões, em espécie, ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Oka­motto.

Os recursos seriam destinados ao financiamento da produção de um documentário sobre Lula no exterior. Segundo a reportagem, Vorcaro detalhou o esquema em um anexo que foi levado à PGR (Procuradoria-Geral da República).

A PGR, entretanto, alegou falta de provas e não avançou no caso. Em nota, a instituição diz que as tratativas “foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado, como devido”.

“Todas as propostas formalizadas pela Defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias. Não houve interlocução direta do senhor Vorcaro com qualquer representante da PGR”, acrescenta.

Um integrante da PGR ouvido em caráter reservado pela CNN Brasil afirma que o áudio atribuído ao ex-banqueiro não foi enviado à equipe que conduzia as tratativas de delação na instituição.

Integrantes da Polícia Federal informaram à CNN Brasil que o órgão recusou a delação de Vorcaro por ausência de elementos mínimos que dessem credibilidade ao que ele disse. Eles ressaltaram que a PGR chegou à mesma avaliação.

A defesa de Vorcaro teria argumentado ter mensagens, registros das pessoas que retiraram o dinheiro vivo e a relação de lugares usados por operadores nas entregas do dinheiro.

Marco Aurélio e Reinaldo Santos pediram que as autoridades priorizem a investigação e a identificação dos interlocutores que estariam negociando a entrevista com emissoras de televisão.

“Caso venham a ser divulgadas nos próximos dias, por qualquer meio, imputações atribuídas direta ou indiretamente ao custodiado contra o Presidente da República ou integrantes do Governo Federal, a verificação prioritária de sua correspondência com o material aqui noticiado e de sua origem, observada a delimitação quanto ao trabalho jornalístico”, escreveram no pedido.

Suspeita de gravação clandestina

A CNN Brasil conversou com fontes próximas de Vorcaro e elas confirmam o áudio repercutido pela Veja, mas afirmaram não saber quando o conteúdo foi gravado. O entorno do ex-banqueiro disse ainda que o relato não compôs nenhum depoimento formal dado às autoridades.

As fontes dizem suspeitar que a gravação seja clandestina, principalmente porque há uma distorção no início do áudio que, para aliados de Vorcaro, indica a presença de uma terceira pessoa no ambiente da conversa.

Questionados sobre um suposto “acordão” que levaria à soltura do réu, os interlocutores negaram a possibilidade.

O que dizem os citados

A campanha do presidente Lula chamou de “farsa com objetivos eleitorais” o depoimento e disse que deve acionar a Justiça. A coligação do presidente, que assina a nota, diz ainda ser “estarrecedor” que a publicação “estampe em sua capa acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova” e que adotará “medidas judiciais cabíveis”.

“Esse depoimento não existe, não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e Polícia Federal. Portanto, uma farsa“, diz o comunicado.

Em nota, os advogados de Daniel Vorcaro dizem repudiar “a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada”.

“A defesa não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas”, diz a nota, assinada por Sérgio Leonardo e Engels Augusto Muniz.

Já o advogado Daniel Bialski, que também representa o ex-banqueiro, afirmou desconhecer a fala.

A CNN Brasil tenta contato com João Vaccari Neto e Paulo Okamotto.

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*Sob supervisão de Lucas Schroeder

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