As emissões de debêntures incentivadas voltadas para os setores de transporte e logística já somaram R$ 145,9 bilhões desde 2020 até julho deste ano.
Os dados são de um levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Segundo a associação, somente nos sete primeiros meses de 2026, as emissões alcançaram R$ 9 bilhões.
O montante só perde para as emissões destinadas aos projetos de infraestrutura voltados ao setor elétrico.
Para a associação, os valores mostram a relevância desse movimento, que fica ainda mais evidente diante do tamanho da demanda.
Somente no primeiro semestre deste ano, as emissões em infraestrutura realizadas no país alcançaram R$ 368,5 bilhões, maior volume para um semestre desde o início da série histórica da Anbima.
Dentro do setor de transporte e logística, já foram recebidos R$ 76,5 bilhões em investimentos no ano passado, o que equivale a 0,61% do PIB.
Segundo a Anbima, para atender às necessidades de expansão e modernização da infraestrutura brasileira, seriam necessários R$ 282,5 bi.
“A diferença estimada em R$ 206 bilhões entre os investimentos realizados e a necessidade anual de investimentos revela tanto o desafio do país quanto a oportunidade de ampliar as fontes privadas de financiamento”, afirmou em nota.
Para Erika Lacreta, gerente de mercado de capitais da associação, a dimensão dos investimentos necessários para ampliar e modernizar a infraestrutura do país exige a combinação de diferentes fontes de financiamento, com o mercado de capitais desempenhando um papel cada vez mais relevante ao conectar investidores a projetos de longo prazo em setores estratégicos.
“Para que esse avanço continue, é fundamental contar com segurança jurídica, previsibilidade regulatória e instrumentos adequados às características de cada projeto”, ponderou Erika.
Demanda deve continuar
A carteira de projetos prevista para os próximos anos indica a continuidade da alta demanda por investimentos no setor.
Segundo o Ministério dos Transportes, a projeção de investimentos públicos e privados em ativos rodoviários e ferroviários até 2030 é de cerca de R$ 400 bilhões.
Do total estimado, R$ 734,4 bilhões devem vir da iniciativa privada, enquanto outros R$ 490,5 bilhões seriam investimentos públicos.
O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou, à época, que o valor total dos projetos foi baseado no levantamento da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), que estima R$ 1 trilhão de investimentos para manter a infraestrutura brasileira em um patamar de serviço adequado.

