A inflação do Brasil registrou alta de 0,82% em setembro de 2026, resultado acima do teto esperado pelo mercado, que era de 0,74%. O dado representa uma retomada do índice positivo após o período de deflação registrado no mês anterior, e coloca o IPCA acumulado em 12 meses no patamar de 4,58%, próximo ao limite do teto da meta.
Segundo a analista de economia Débora Oliveira, a alta já era esperada em função do encerramento do bônus de Itaipu, que havia barateado o preço da energia elétrica no mês anterior.
“Com a retirada desse bônus, já se esperava que o índice voltasse a ficar positivo, voltasse a subir. Mas tivemos algumas surpresas, como o preço do combustível, que subiu um pouco mais do que era esperado”, afirmou Débora durante o Live CNN desta sexta-feira (9).
Todos os grupos do IPCA registraram alta
Débora destacou que, diferentemente de outros meses, nenhum grupo da pesquisa apresentou deflação em setembro. “Não teve mocinho nessa história. De todos os grupos que compõem o IPCA, todos tiveram alta”, afirmou a analista.
Os dois grupos com maior peso no índice foram Habitação, com alta de 2,31%, impulsionado pelo aumento da energia elétrica residencial, e Transportes, com alta de 0,89%, pressionado pela passagem aérea, que subiu 9,66%, e pelo encarecimento do etanol e da gasolina.
Entre os alimentos, o tomate chamou atenção ao registrar alta de quase 38%. A batata-inglesa subiu 24,07% e a cebola ficou mais cara em mais de 10%. O grupo de alimentação, como um todo, voltou a subir após três meses consecutivos de deflação.
Por outro lado, o frango recuou quase 2% e a cesta de frutas apresentou deflação de 1,12%, amenizando parcialmente a pressão no grupo.
Impacto no orçamento das famílias
Para Débora, o resultado é preocupante porque as altas se concentram em itens essenciais do cotidiano. “Essa alta vem em contas que a gente não tem como apertar muito. Transporte, combustível, energia elétrica. São contas que você não tem como deixar de pagar. E alimentação”, pontuou a analista.
Ela exemplificou que trabalhadores que dependem de veículos para trabalhar, como motoristas de aplicativo, são diretamente afetados pelo aumento dos combustíveis, sem alternativa para reduzir esse custo.
A analista também alertou para a persistência da inflação, mesmo em trajetória de desaceleração em relação ao início do ano.
“A gente ainda deve ter menos espaço confortável para que o Banco Central continue cortando juros por muito mais tempo”, avaliou Débora.
De acordo com a analista, fatores como a bandeira tarifária amarela na energia elétrica e os possíveis impactos do El Niño sobre a agricultura indicam que uma nova deflação, como a registrada no mês anterior, é improvável no curto prazo.

