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Sobra de energia abre espaço para Brasil processar dados de fora, diz Odata

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O excedente de geração de energia no Brasil e as dificuldades de abastecimento para novos data centers nos Estados Unidos podem abrir uma oportunidade para o país processar dados de clientes estrangeiros e exportar serviços digitais. A avaliação é de Ricardo Alário, CEO da Odata, que defende o aproveitamento dessa combinação para ampliar a participação brasileira no mercado internacional, impulsionado principalmente pelo avanço da inteligência artificial.

Em entrevista ao Alta Voltagem, da CNN, o executivo apresentou a oportunidade de ampliar a infraestrutura de processamento, hoje voltada principalmente ao atendimento de consumidores locais, para receber também a demanda de outros países.

“Vamos colocar data centers que vão processar dados e exportar para o resto do mundo. É isso que o Redata veio acelerar em um mercado que já vinha em forte crescimento”, disse.

O Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), sancionado em setembro, prevê incentivos fiscais para investimentos na instalação, modernização e ampliação desses empreendimentos no Brasil.

A aposta de Alário ocorre em um mercado ainda concentrado nos Estados Unidos. Levantamento da Synergy Research Group, divulgado em agosto pela TechInsights, mostra que 15 dos 20 maiores mercados de data centers de grande escala estavam no país no primeiro trimestre de 2026.

Ao comentar as restrições de energia para a expansão do setor americano, o executivo afirmou: “Os EUA não são opção [para processamento de dados]. Só terão geração de energia para 2030. Não há mais como conectar datacenters e temos essa indústria que é absolutamente faminta por energia e cresce numa velocidade nunca vista na história”.

Os gargalos de energia também aparecem no relatório da CBRE sobre o primeiro trimestre de 2026, que aponta dificuldades em polos como o norte da Virgínia e Chicago. O estudo registra, ao mesmo tempo, expansão de 33% da capacidade instalada nos quatro maiores mercados americanos analisados, mostrando que o crescimento continua, apesar das restrições.

No Brasil, a sobra de energia varia conforme o horário e as condições de geração e consumo. A produção renovável nem sempre coincide com os momentos de maior demanda, o que pode exigir cortes de geração (curtailment) impostos pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) para preservar o equilíbrio do sistema. O aproveitamento desse excedente pelos data centers depende também de conexão à rede e de abastecimento contínuo.

Além da oferta de energia, Alário aponta preços atraentes e a presença de empresas e infraestrutura já estabelecidas como vantagens brasileiras. O Estado de São Paulo é o maior mercado latinoamericano de data centers e registra na cidade os preços de locação mais competitivos entre os quatro principais mercados da região analisados no levantamento.

A disputa por novos investimentos inclui destinos asiáticos, como Índia e Malásia, citados pelo executivo. Na sua avaliação, as tensões geopolíticas e os conflitos no Oriente Médio também pesam sobre a escolha dos investidores e reduzem a atratividade daquela região.

Soberania de dados

A oportunidade de exportação envolve ainda a soberania dos dados. Para atender clientes estrangeiros, será necessário considerar exigências sobre a localização, a proteção e o controle das informações, especialmente quando se trata de dados estratégicos.

Nesse campo, o Brasil já conta com um avanço: em janeiro de 2026, o país e a União Europeia adotaram decisões recíprocas de adequação, reconhecendo que seus sistemas de proteção de dados pessoais oferecem níveis comparáveis de proteção. O reconhecimento facilita a transferência dessas informações entre as duas jurisdições.

Alário considera a segurança jurídica uma condição para que o Brasil conquiste esse mercado. “Temos que dar segurança jurídica para estes dados”, afirmou.

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