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Quem é Zack Polanski, o “ecopopulista” que desafia o poder britânico?

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Quem é Zack Polanski, o “ecopopulista” que desafia o poder britânico?

O líder do Partido Verde do Reino Unido, Zack Polanski, desafiará nesta quinta-feira (8) o establishment político ao enfrentar o Partido Trabalhista, que está no governo, em uma eleição suplementar pela cadeira anteriormente ocupada pelo ex-primeiro-ministro Keir Starmer.

Polanski, com seu amplo repertório de políticas progressistas e uma presença ativa no TikTok, apresenta um perfil diferente do de Starmer, que alienou de forma consistente a ala esquerda de seu Partido Trabalhista e ganhou fama de comunicador rígido e pouco eficaz.

Esse contraste ajudou Polanski e os Verdes a ganharem força como uma alternativa popular de esquerda ao Partido Trabalhista, de centro-esquerda, que está no governo e vem perdendo eleitores nos últimos anos por sua posição em questões como gastos com assistência social, direitos das pessoas trans e a guerra em Gaza. Polanski chegou a dizer, em mais de uma ocasião, que seu partido “está aqui para substituir o Partido Trabalhista”.

Mas esse impulso praticamente estagnou desde que Starmer renunciou ao cargo de primeiro-ministro no verão, após sofrer enorme pressão dentro de seu próprio partido. Ele deixou o cargo de deputado no mês passado, desencadeando a eleição suplementar.

No lugar de Starmer, surgiu um adversário mais formidável. Andy Burnham, o atual primeiro-ministro, é amplamente visto como um político mais habilidoso e mais capaz de atrair um espectro amplo de eleitores, incluindo os progressistas que Polanski tem buscado conquistar.

Por isso, o resultado dessa eleição suplementar — no distrito eleitoral de Holborn e St. Pancras, no centro de Londres — representa mais do que a possibilidade de Polanski se tornar deputado.

Ela coloca os Verdes e o Partido Trabalhista diretamente frente a frente pela primeira vez desde que Burnham assumiu o cargo, funcionando como o primeiro grande teste eleitoral para o novo governo, além de servir como um termômetro da capacidade dos Verdes de competir com um Partido Trabalhista revitalizado.

Se Polanski vencer na quinta-feira, isso representará um sério alerta para o novo primeiro-ministro e poderá ser um dos primeiros sinais de que a esquerda britânica se dividiu de maneira irreversível. Mas, se ele perder e a candidata trabalhista Sagal Abdi-Wali mantiver a cadeira para o partido, isso será um sinal de que Burnham conseguiu trazer os progressistas de volta para o Partido Trabalhista e desacelerar seu declínio eleitoral.

As posições divergentes sobre a guerra em Gaza e o antissemitismo estão no centro dessa divisão — e também desta eleição suplementar. Muitos eleitores muçulmanos afirmaram que não votarão no Partido Trabalhista porque consideram que o governo não tomou medidas suficientemente firmes em relação a Gaza.

Neste fim de semana, os Verdes aprovaram uma controversa moção que classifica o sionismo — que grupos judaicos às vezes definem como o direito à autodeterminação do povo judeu — como uma forma de racismo, chamando-o de “projeto político etnonacionalista”.

Polanski, que é judeu e mudou seu nome de David Paulden aos 18 anos para homenagear sua herança, não votou na moção nem fez menção a ela em seu discurso na conferência. Ele se descreve como “antissionista”. Israel respondeu proibindo Polanski de visitar o país.

Na quarta-feira (7), uma nova tempestade tomou conta da imprensa britânica por causa de uma suposta amizade entre o membro do Partido Verde que propôs a moção e um homem condenado nos Estados Unidos por acusações relacionadas ao terrorismo da Al Qaeda.

Qualquer racha na esquerda acontece em um momento crítico da política britânica, com o Partido Trabalhista (e os Verdes) também concentrados em conter uma onda crescente da direita, sinalizada de forma mais evidente pela rápida ascensão do partido populista de extrema direita Reform UK.

Quem é Polanski?

Autointitulado “eco-populista”, Polanski, de 43 anos, ganhou projeção nacional no outono passado, quando conquistou uma vitória surpreendente na eleição para a liderança dos Verdes, derrotando dois dos quatro parlamentares do partido e assumindo o comando da legenda. Antes disso, ele ainda era um político local pouco conhecido, representando os Verdes na Assembleia de Londres.

De forma geral, a imagem de Polanski pode ser descrita da seguinte maneira: para seus admiradores, ele é um antídoto às tendências tecnocráticas e rígidas dos políticos mais tradicionais; um comunicador talentoso disposto a adotar políticas de esquerda ousadas das quais o Partido Trabalhista tem, em grande medida, se esquivado.

Para seus críticos, ele é vago e incapaz de definir claramente os detalhes de suas próprias políticas.

Mais recentemente, seu uso das redes sociais gerou controvérsia depois que ele criticou a resposta da polícia a um ataque antissemita no norte de Londres e, em um episódio separado, republicou uma foto que alguns interpretaram como uma ameaça a Nigel Farage, líder do Reform UK.

Ainda assim, sob sua liderança, o partido conquistou atenção nacional, dando continuidade ao seu melhor desempenho em uma eleição geral, quando garantiu quatro cadeiras no Parlamento em 2024.

Em maio, o crescimento dos Verdes parecia astronômico — por um breve período, o partido chegou a aparecer nas pesquisas no mesmo nível do Partido Trabalhista e dos conservadores de centro-direita, os dois partidos que dominaram a política britânica por décadas, além de obter ganhos históricos nas eleições locais realizadas na primavera.

Embora Polanski tenha tentado relacionar a crise climática a outras questões, ele priorizou amplamente preocupações imediatas do cotidiano, como o custo de vida e propostas de propriedade pública da água e de outros serviços públicos, além de outras iniciativas progressistas, como a defesa de um imposto sobre grandes fortunas e do controle dos aluguéis, ao mesmo tempo em que adotou uma postura pró-Palestina.

Polanski atribuiu a si próprio o mérito de ter empurrado o Partido Trabalhista mais para a esquerda. Mais recentemente, afirmou que seu partido foi responsável por influenciar a mudança de posição do governo trabalhista em relação ao Oriente Médio, incluindo as sanções anunciadas recentemente pelo governo contra assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia ocupada.

De ator ao político

Ex-ator, a principal força de Polanski está em sua capacidade de comunicação. Ele organiza suas próprias noites em casas noturnas e mantém conversas semanais com acadêmicos, ativistas e jornalistas em seu podcast “Bold Politics”, abordando ideias como um limite extremo para a riqueza (uma proposta de estabelecer globalmente um teto para o patrimônio líquido de um indivíduo), a renacionalização das empresas de água e o retorno do Reino Unido à União Europeia.

Mas ele também é propenso a cometer deslizes. Em uma entrevista desastrosa pouco depois de assumir a liderança do partido, pareceu confundir a dívida pública com o déficit público. Meses depois, apresentou de forma mais cuidadosa sua política econômica em um evento de um centro de estudos de esquerda, embora ela continue sendo “vaga”, segundo Laura Serra, cientista política da London School of Economics.

“Na verdade, as pessoas não sabem muito bem o que eles (os Verdes) defendem ou o que vão fazer”, acrescentou ela.

Embora a presença quase constante de Polanski na mídia tenha lhe dado uma projeção muito maior do que a de líderes anteriores do Partido Verde, analistas argumentam que o aumento da popularidade do partido tem menos a ver com ele e mais com as mudanças no cenário político do Reino Unido.

Ao mesmo tempo, os partidos verdes de toda a Europa se tornaram mais influentes, impulsionados pelo crescente apoio entre recém-formados e beneficiados pelas “mudanças nas divisões sociais”, afirmou James Dennison, cientista político da Universidade Europeia de Florença, que estuda os Verdes há mais de uma década. “A mudança é mais rápida no Reino Unido, e isso é parcialmente acentuado pelo sistema eleitoral. Por isso, eles demoram mais para conseguir espaço e, quando conseguem, avançam mais rapidamente.”

Polanski também se coloca conscientemente como parte de uma tendência populista mais ampla; ele descreve sua abordagem à comunicação como “conteúdo com clickbait” e como uma alternativa criada diretamente para confrontar o populismo de direita do Reform e de seu líder, Nigel Farage, que apoia Trump.

“O populismo diz respeito aos 99%, à grande maioria… contra os muito, muito ricos… Trump e Farage fazem parte do 1% e querem proteger os interesses da elite”, disse Polanski à Bloomberg no início deste ano.

Essa ascensão simultânea dos Verdes e do Reform pode fragmentar o cenário político britânico, no qual o sistema eleitoral de maioria simples — em que vence o candidato mais votado em cada distrito — normalmente favorece dois ou três grandes partidos.

Assim, independentemente de quem vencer na quinta-feira, o simples fato de os Verdes serem competitivos em um tradicional reduto do Partido Trabalhista como este é um indicativo de como os partidos menores e mais radicais estão cada vez mais desafiando o sistema político tradicional.

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