A população mundial de animais silvestres monitorados diminuiu, em média, 73% em 52 anos. O dado faz parte do Relatório Planeta Vivo 2026, produzido pela WWF em parceria com a Sociedade Zoológica de Londres, que analisou 35.803 séries de dados de 5.790 espécies de vertebrados entre 1970 e 2022.
De acordo com o levantamento, a maior redução foi registrada nos ambientes de água doce, de 85%. Em seguida, aparecem os ambientes terrestres, com queda de 69%, e os marinhos, com redução de 56%.
A nova análise, porém, incorpora dados de mais populações e cobre um período maior. Os resultados mostram a dimensão da perda de biodiversidade no mundo.
Quais são as maiores ameaças às populações monitoradas?
O levantamento mostra que a perda e a degradação de habitats são as ameaças mais frequentemente relatadas para as populações monitoradas. Em seguida, aparecem a exploração excessiva, as mudanças climáticas, a poluição, as espécies invasoras e as doenças.
Essas pressões estão ligadas principalmente aos sistemas de produção de alimentos, energia e finanças.
Cenário brasileiro
No Brasil, a perda de habitat significa a redução das áreas disponíveis para a reprodução e a sobrevivência de espécies nativas. Esses animais também são afetados pelos efeitos das mudanças climáticas, como queimadas, secas extremas e altas temperaturas.
A pesquisa mostra que, dados oficiais da plataforma Salve, do MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), indicam que mais de 80% das espécies de vertebrados brasileiros ameaçadas de extinção são afetadas por ameaças associadas ao desmatamento.
Entenda como as mudanças climáticas afetam as espécies
Várias espécies marinhas também apresentam redução no tamanho das populações devido à degradação do ambiente associada ao aumento das temperaturas oceânicas.
A perda de biodiversidade não acontece de forma isolada. Quando uma floresta é desmatada ou degradada, quando o fogo avança sobre áreas naturais ou uma seca extrema altera rios e outros ambientes, as espécies perdem alimento, abrigo e condições para se reproduzir. No Brasil, que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, proteger e recuperar os habitats naturais é fundamental para interromper o declínio das populações de animais silvestres
Helga Correa, especialista em Conservação do WWF-Brasil
Avanços na conservação
Mesmo com a queda registrada pelo índice global, o estudo aponta que metade das populações incluídas no levantamento se apresenta estável ou em crescimento. Em especial, o relatório destaca a recuperação das populações de tartarugas-verdes, atuns-azuis, tigres e elefantes no sul da África.
No Brasil, a união entre governo, terceiro setor e produtores locais têm ajudado a salvar espécies ameaçadas. Um exemplo, é o da Mata Atlântica que na região de Iguaçu, ações de conservação fizeram a população de onças saltar de 11 para 42 indivíduos entre 2019 e 2025. Esse número representa um crescimento de 280%.
Já o mico leão dourado o aumento das populações devido aos esforços de conservação permitiu que a espécie saísse da categoria de criticamente ameaçada para ameaçada. Ainda assim, o relatório ressalta que essas ações, de forma isolada, não são suficientes para reverter as perdas apontadas pelo índice.
Os exemplos de recuperação apresentados pelo relatório mostram que o declínio da natureza não é
Helga Correa, especialista em Conservação do WWF-Brasil
inevitável. O Brasil tem condições de reverter perdas, mas isso exige ações de conservação contínuas
e em escala, com proteção e restauração dos ecossistemas e enfrentamento das causas da perda de
biodiversidade. Esses esforços também precisam reconhecer e fortalecer o papel dos povos indígenas,
povos e comunidades tradicionais e comunidades locais, que dependem diretamente da natureza e
têm uma contribuição fundamental para sua conservação. Recuperar a biodiversidade significa gerar
resultados concretos não apenas para as espécies e os ecossistemas, mas também para as pessoas que
vivem nesses territórios e dependem deles

