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Mercado de soja deve seguir sustentado por compras da China e clima

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Mercado de soja deve seguir sustentado por compras da China e clima

O mercado de soja deve permanecer sustentado no quarto trimestre de 2026, com as compras chinesas da produção dos Estados Unidos e a demanda do setor de biocombustíveis entre os principais fatores de suporte às cotações, segundo a StoneX.

Ao mesmo tempo, a entrada da safra norte-americana tende a limitar novas altas, enquanto o desenvolvimento da produção sul-americana, especialmente no Brasil, será acompanhado de perto diante dos riscos associados ao El Niño.

Em seu relatório trimestral de perspectivas, a StoneX indica que os contratos de soja negociados em Chicago acumularam valorização de 14,8% no trimestre e chegaram, em setembro, próximos do maior nível em quase três anos. O movimento ocorreu em meio à reaproximação comercial entre Estados Unidos e China e à expectativa de retomada das compras chinesas da oleaginosa norte-americana.

A China acelerou as compras da safra americana de 2026/27 nas semanas que antecederam o segundo encontro do ano entre Xi Jinping e Donald Trump. Segundo a inteligência de mercado, os volumes chegaram a até 13 milhões de toneladas ao fim de setembro, o equivalente à metade do compromisso de aquisição de 25 milhões de toneladas assumido por Pequim para a temporada. A maior parte dessas compras, porém, foi realizada por empresas estatais, enquanto as margens das processadoras chinesas continuam pressionadas.

Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado, destaca que o último ciclo foi positivo para a soja devido a precificação das compras chinesas e a demanda global mais aquecida. “A questão da China foi extremamente importante pela expectativa do aumento de comércio com os EUA, além disso, boas perspectivas de produção e consumo no mundo contribuíram para a valorização da oleaginosa”, destacou.

O compromisso chinês ainda não representa garantia de exportação, já que parte das compras pode ser cancelada. Além disso, a tarifa adicional de 10% sobre a soja americana continua sendo um fator de pressão para os processadores privados chineses. Ainda assim, o mercado passou a incorporar as compras chinesas nas projeções para o balanço de oferta e demanda dos Estados Unidos.

A StoneX estima que os estoques finais norte-americanos de soja devem chegar a 8,4 milhões de toneladas na temporada 2026/27, queda de 4,6% em relação ao ciclo anterior. A redução é atribuída à combinação da demanda chinesa com o consumo doméstico relacionado aos biocombustíveis.

Por outro lado, a produção dos Estados Unidos deve alcançar 123,4 milhões de toneladas, alta de 6,4% sobre a temporada anterior, segundo estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

O avanço é explicado pela expansão da área plantada e pela ausência de problemas relevantes de produtividade. A entrada dessa safra maior tende a limitar a valorização da oleaginosa em Chicago.

Brasil

No Brasil, o principal fator de risco para o mercado será o clima. A StoneX projeta a produção brasileira de soja em 183,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, crescimento de 0,4% em relação ao ciclo anterior. A estimativa considera uma área plantada levemente maior, mas prevê oscilações de produtividade entre os Estados em razão dos efeitos do El Niño.

O fenômeno climático deve ser especialmente relevante para a distribuição das chuvas. Historicamente, eventos de El Niño favorecem o Rio Grande do Sul, com maior volume de precipitações, mas aumentam o risco de seca nas regiões mais ao norte do país. Em episódios fortes anteriores, como em 2015/16 e 2023/24, Mato Grosso registrou queda de produtividade.

A StoneX destaca que o plantio brasileiro começou de forma positiva, mas eventuais revisões nas estimativas de produtividade podem alterar a perspectiva de crescimento da produção e influenciar os preços. No curto prazo, a redução das exportações brasileiras durante a entressafra também abre espaço para maior participação da soja norte-americana no comércio internacional.

No balanço global, o USDA projeta déficit de 1,2 milhão de toneladas na safra 2026/27, o segundo ano consecutivo de saldo negativo. A StoneX, porém, avalia que o resultado ainda não é suficiente para provocar estresse nos estoques mundiais. Para os próximos meses, portanto, o clima na América do Sul e o ritmo das compras chinesas devem ser determinantes para a formação dos preços.

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