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Google Maps e Waze passam a mostrar preço de combustível no Reino Unido

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Google Maps e Waze passam a mostrar preço de combustível no Reino Unido

Os aplicativos de navegação Google Maps e o Waze passaram a exibir os preços de gasolina e diesel em postos do Reino Unido. O recurso foi anunciado nesta quinta-feira (8) pelo Google e usa dados do Fuel Finder, sistema do governo britânico que reúne os valores praticados nas bombas em tempo quase real. A empresa diz que o objetivo é facilitar a vida do motorista em um momento de custo de vida em alta.

“À medida que o custo de vida continua a subir, administrar despesas nunca foi tão importante. Por isso, estamos lançando os preços de combustíveis no Reino Unido no Google Maps e no Waze”, afirmou Sarah-Jayne Williams, diretora global de parcerias de produto do Google Maps e do Waze. Segundo ela, a ferramenta foi desenvolvida em parceria com o governo britânico e com a comunidade do Waze no país.

Preço do combustível no mapa

Pelo Google, a ideia é tirar o motorista do “chute” e do hábito de parar no posto mais próximo. “Em vez de adivinhar ou recorrer ao posto mais próximo, você pode encontrar facilmente o melhor custo-benefício para o seu tanque, mais rápido do que nunca”, diz a empresa.

Na prática, o usuário pode:

  • pesquisar por “petrol” (gasolina) ou “fuel” (combustível) no Maps ou no Waze para ver os preços mais recentes;
  • comparar os valores de gasolina e diesel diretamente no mapa;
  • consultar, na mesma plataforma, os preços de todos os tipos de combustível oferecidos por cada posto.

O sistema Fuel Finder

O Fuel Finder é um programa do governo do Reino Unido criado para ajudar motoristas a encontrar os combustíveis mais baratos. Pelas regras, todos os postos do país são obrigados a informar qualquer mudança de preço em até 30 minutos. Os dados ficam disponíveis para aplicativos e sites de terceiros, que podem usá-los em ferramentas próprias de comparação.

Quando divulgou um guia sobre o programa, em 31 de março, o governo afirmou que cerca de 90% dos postos já estavam cadastrados e que exigia o envio imediato de dados pelos demais. Estabelecimentos que continuarem sem compartilhar os preços podem sofrer sanções da CMA, a autoridade britânica de concorrência e mercados.

Governo estima economia de 40 libras por ano

Segundo o governo, a expectativa é que o sistema gere uma economia média de 40 libras (cerca de R$ 265) por ano para cada domicílio que possui carro. A longo prazo, a transparência deve estimular a concorrência entre os postos e pressionar os preços para baixo para todos os motoristas.

O programa também se insere em uma ofensiva do governo contra preços abusivos nas bombas. Em março, o Executivo pediu à CMA que reprimisse práticas de exploração das oscilações recentes do mercado para obter lucros excessivos.

O Google posiciona o recurso como uma forma de simplificar o dia a dia. “Os trajetos cotidianos agora ficam mais simples e mais baratos, mostrando aos britânicos onde é melhor comprar combustível”, afirma a empresa.

Como funcionaria no Brasil?

O Google ainda não informou se o recurso virá para o Brasil. A iniciativa britânica, porém, reacende uma discussão conhecida por aqui: como transformar dados de preços de combustíveis em informação acessível ao motorista.

No Brasil, o Waze já lista postos e preços ao longo da rota e aplicativos como o Octano combinam dados públicos da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) com informações da comunidade.

A diferença está na base de dados. Enquanto o Reino Unido tornou obrigatória a comunicação de preços em até 30 minutos, o principal retrato oficial brasileiro é o Levantamento de Preços de Combustíveis da ANP, divulgado semanalmente e feito por amostragem. Por restrições orçamentárias, a pesquisa, que cobria 459 localidades até junho de 2024, passou em 2025 a abranger no máximo 390 municípios.

Alguns estados tentam suprir a lacuna com aplicativos próprios, como o Preço da Hora, da Secretaria da Fazenda da Bahia, que exibe os preços conforme os produtos são faturados. Já a ideia de um “Waze dos preços” chegou a ser levada a Brasília: em audiência com o então ministro da Justiça, Flávio Dino, o deputado Júlio Lopes defendeu um sistema nacional de monitoramento da revenda de combustíveis, chamado de “Waze Preço Brasil”, e afirmou que “a legislação já existe”, bastando a ANP divulgar os endereços e os preços dos postos.

Na prática, replicar o modelo britânico dependeria de uma base nacional, aberta e atualizada com alta frequência, algo que, pelas informações públicas disponíveis, ainda não existe no país com a mesma regularidade.

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