A liderança do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) orientou agentes em todo o país a aumentar em 1 mil o número diário de prisões de imigrantes, retomando uma meta anterior de 3 mil detenções por dia. A analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta comenta o tema ao CNN 360°.
A informação foi revelada pela CNN com base em duas fontes familiarizadas com o caso.
A ordem foi emitida pelo governo do presidente americano, Donald Trump, às vésperas das eleições de meio de mandato, as chamadas midterms. Para a analista de internacional da CNN, Fernanda Magnotta, a medida tem motivação política clara.
Demonstração de força política
A analista avalia que a decisão representa uma tentativa de demonstrar força política diante do eleitorado. “A resposta curta é de que o governo Trump faz isso às vésperas da eleição na tentativa de demonstrar força política”, afirmou Fernanda Magnotta.
Segundo ela, a política migratória é uma bandeira defendida por Trump desde a administração anterior e, na segunda gestão, tem sido adotada com ainda mais intensidade.
De acordo com Magnotta, pesquisas de opinião pública mostram de forma consistente que o eleitorado de Trump elege economia e política migratória como as principais prioridades.
“Era assim já antes, continua sendo assim agora”, destacou a analista.
Ressalvas entre eleitores republicanos
No entanto, Magnotta aponta que a análise qualitativa das ações do ICE nem sempre tem acompanhado de forma favorável ao governo essa preocupação do eleitorado.
Segundo ela, há indícios de que os próprios eleitores republicanos e independentes que votaram em Trump têm ressalvas sobre como essas políticas têm sido adotadas na prática.
“Do ponto de vista das pesquisas mais recentes, a crítica é de que muitas medidas seriam excessivas, seriam violentas e até, de alguma forma, estariam criando um efeito colateral em relação à percepção de segurança dessa sociedade”, explicou a analista.
Diante desse cenário, a nova meta do ICE seria mais um aceno à base eleitoral de Trump, buscando equilibrar o cumprimento das promessas de campanha sem parecer que foi longe demais aos olhos do próprio eleitorado.

