São meritórias as razões para se discutir carga semanal de trabalho e escala, que são coisas bem diferentes, por sinal.
Mas não é nem um pouco meritório tratar de matéria de tal importância para as pessoas e para a economia para ajudar a campanha de reeleição do atual presidente da República.
Pois é disso que se trata o esforço do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em colocar o fim da escala 6×1 em votação. O que está em jogo não é propriamente o mérito, o conteúdo dessa questão.
É se ajuda ou não o esforço, cada vez mais desesperado, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reeleger. Davi Alcolumbre assumiu um lado nessa disputa e o declarou publicamente. O mesmo aconteceu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).
Essa articulação foi iniciada por um ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, cuja convergência de interesses com Lula, Alcolumbre e Motta surgiu de vários fatores, mas o principal é a sobrevivência política dos três, colocada em cheque pelo conteúdo do telefone celular de um vigarista, Daniel Vorcaro.
Os resultados das eleições até aqui colocou o trio na defensiva.
Especialmente Lula, que está, como sempre, em busca de uma bala de prata para obter o que parece que ficou mais distante – derrotar seu adversário da oposição.
Repito, as questões que envolvem carga semanal de trabalho e sua distribuição numa escala são de mérito indiscutível.
Não é algo que deva ser tratado segundo a conveniência de determinados políticos.

