A Toyota lançou o Sora, novo ônibus urbano movido a célula de combustível a hidrogênio. O modelo foi desenvolvido em parceria com a Isuzu Motors e chega como atualização da primeira geração, apresentada em 2018.
Segundo a fabricante, a autonomia passou de cerca de 200 km para mais de 300 km, embora a capacidade total de armazenamento de hidrogênio tenha sido reduzida em aproximadamente 20%, um aumento significativo de eficiência.
O número é uma medição de referência feita pela própria Toyota. A empresa ressalva que a autonomia real pode variar conforme temperatura, condições de trânsito, quantidade de passageiros e uso do ar-condicionado. Avaliação de entidades independentes ou estatais ainda está pendente.
Como funciona o combustível a hidrogênio

O Sora usa uma célula de combustível que gera eletricidade a partir da reação entre hidrogênio e oxigênio e uma bateria de íons de lítio de grande capacidade. A eletricidade alimenta dois motores de indução de corrente alternada, que somam 220 kW (300 cv) de potência máxima e 970 Nm de torque.
A Toyota afirma que o ganho de eficiência vem do uso combinado da célula e da bateria. Para esta geração, a empresa adotou uma pilha de células (stack) compacta, própria para veículos comerciais, com maior potência e durabilidade.
A pilha, do tipo membrana de eletrólito polimérico, tem potência máxima de 113 kW. Também foi desenvolvido um tanque de hidrogênio de grande capacidade para esse tipo de veículo. O modelo urbano carrega três tanques de alta pressão (70 MPa), com volume total de 471 litros.
O sistema de célula de combustível fica instalado no teto do ônibus, solução que, segundo a fabricante, facilita a manutenção pelas operadoras.
O Sora combina a plataforma de ônibus urbano elétrico a bateria com piso totalmente plano da Isuzu e o sistema de célula de combustível da Toyota. Esse arranjo, segundo as empresas, faz parte do esforço para viabilizar ônibus urbanos de emissão zero.
Abastecimento e uso como fonte de energia
O reabastecimento completo leva cerca de 10 minutos, de acordo com medições de referência da Toyota. O tempo pode variar conforme a capacidade da estação de hidrogênio e a temperatura ambiente.
O veículo é compatível com um novo padrão de abastecimento de alta velocidade e, quando estações adequadas forem instaladas, o tempo poderá cair para cerca de metade (5 minutos).
O ônibus também pode funcionar como fonte de energia de emergência, mediante a conexão de uma unidade externa de fornecimento de energia.
Segurança
O Sora conta com o sistema de parada de emergência EDSS, integrado ao monitor de condição do motorista DSM. Se o sistema detectar que o condutor está com algum problema, o ônibus reduz a velocidade e para. Depois da parada, aciona automaticamente o freio de estacionamento, o que, segundo a Toyota, ajuda a manter a segurança, inclusive em ladeiras.
O veículo traz ainda um monitor de ponto cego frontal, que detecta pedestres e ciclistas à frente e alerta o motorista.
Acessibilidade e configurações

O interior tem piso totalmente plano, sem degraus, o que facilita a circulação de passageiros em cadeira de rodas ou com carrinhos de bebê. Um sistema opcional de fixação de cadeira de rodas com acionamento em um toque ajuda no embarque e desembarque e na fixação pelo motorista. Os opcionais poderão ser encomendados a partir de cerca de abril de 2027.
Há quatro versões, duas para uso urbano e duas para uso suburbano, com diferentes disposições de assentos. A versão urbana mede 10,5 m de comprimento, 2,48 m de largura e 3,4 m de altura, e comporta 70 pessoas.
Estratégia da Toyota para o hidrogênio
A Toyota considera o hidrogênio uma fonte de energia importante para uma sociedade neutra em carbono. A empresa lançou em 2014 seu primeiro carro de passeio a célula de combustível, o Mirai, vendido em mais de 30 países.
Desde 2019, também fornece sistemas de célula de combustível a terceiros. Até o fim de setembro de 2026, foram mais de 3.500 sistemas entregues no mundo todo, para aplicações como ônibus, trens e geradores estacionários.
A companhia diz que pretende ampliar o uso do hidrogênio na mobilidade em colaboração com órgãos governamentais e empresas, inclusive por meio de uma iniciativa público-privada de implantação de uma rede de infraestrutura de hidrogênio.
653 km/h: carro a hidrogênio quebra recorde de velocidade nos EUA

