Em meio à tentativa da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de reforçar a mobilização nas redes sociais para o segundo turno, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, manteve no ar o Pode Espalhar e o Porta-Vozes do Lula, mas determinou ajustes na identificação da propaganda e do chatbot LuIA.
A decisão atende apenas em parte a ação de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, que pediu a suspensão de mecanismos das plataformas e a retirada de conteúdos críticos a ele.
O Pode Espalhar reúne vídeos, cards, textos e outros materiais para que apoiadores compartilhem conteúdos da campanha. Nunes Marques rejeitou o pedido para tirar o site do ar porque o endereço já havia sido informado à Justiça Eleitoral.
O ministro determinou, porém, que a página indique de forma visível que se trata de propaganda eleitoral e informe a coligação responsável, os partidos que a integram, o CNPJ e um canal de comunicação. O prazo é de 24 horas. Em caso de descumprimento, há previsão de multa e, persistindo a falha, de retirada do site do ar.
A decisão também alcançou a LuIA, chatbot disponível no Pode Espalhar para ajudar usuários a localizar materiais de campanha. A ferramenta deverá informar de forma explícita que o interlocutor é um sistema de inteligência artificial e indicar a tecnologia utilizada. O ministro negou, por outro lado, o pedido para impedir que o chatbot recomende conteúdos favoráveis a Lula.
Nunes Marques manteve ainda o Porta-Vozes do Lula, iniciativa que permite a apoiadores divulgar o projeto por links individuais, participar de um ranking e desbloquear “missões exclusivas”.
Para o ministro, nesta fase do processo não há indícios de que os participantes recebam vantagem econômica pela divulgação. Esse é o elemento necessário para enquadrar a iniciativa como propaganda eleitoral paga, vedada pela legislação.
“O benefício anunciado é o acesso a ‘missões exclusivas’, ou seja, a novas tarefas de mobilização, e não a pagamento, prêmio, bem ou qualquer outra vantagem de conteúdo econômico”, escreveu o ministro.
A decisão ocorre num momento em que a campanha de Lula discute ampliar a presença digital no segundo turno, com mais participação de aliados e influenciadores e produção coordenada de conteúdo.
Como mostrou a CNN, o petista cedeu a pedidos de aliados e tenta uma guinada na comunicação digital da campanha. Nesta quarta-feira (7), Lula, que resistia a gravar vídeos em formato selfie, publicou conteúdos nesse estilo em suas redes sociais.
Durante o primeiro turno, o presidente evitou ferramentas digitais, apesar dos apelos de sua equipe. Aliados avaliam que o vídeo em selfie tem maior potencial de capturar a atenção do público e de transmitir mensagens, mas Lula se dizia “desconfortável” com o formato.
O diagnóstico do PT após o resultado do primeiro turno aponta falha na comunicação. Um quadro de confiança de Lula disse à reportagem que “falhamos em comunicar especialmente o que Flávio Bolsonaro representa”.

