É para lá de óbvio que também eleição só termina quando acaba, mas a atual já trouxe duas certezas: Lula perdeu a capacidade de governar, mesmo que consiga uma virada e vença o segundo turno, e o STF (Supremo Tribunal Federal) perdeu a condição de operar como fez até agora, livre de qualquer controle externo.
O tempo é bem curto para Lula tentar ser o que se recusou a ser durante o terceiro mandato: um presidente disposto a compartilhar poder com outras forças políticas. Sua campanha colocou no marqueteiro a culpa pelas dificuldades.
Enquanto a maior delas parece ser o próprio Lula, incapaz até aqui de perceber que o passado não serve mais, Flávio se beneficia neste momento de uma onda que é mais do que antipetista.
É de um enorme cansaço. E lhe deu grande número de votos em largas fatias do eleitorado que não se declaram ou identificam com o bolsonarismo. É o que ajuda a entender como conseguiu resultados superiores aos de seu pai apesar da também altíssima taxa de rejeição.
A política brasileira é famosa como ambiente no qual poucos assumem riscos e preferem apostar só quando tem certeza de quem será o vencedor. Flávio está recebendo apoios em sequência, a começar pelas famosas forças do centrão.
Enquanto Lula parece ainda apostar em mágicas – como mais medidas eleitoreiras e seu próprio nome – que evidentemente não funcionaram como ele previa.
Seu grande aliado, a ala de força do STF, sofreu nas urnas o mesmo tipo de pancada que seu candidato à reeleição. Ainda não se sabe qual seria um plano para a salvação.

