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Trump manteve silêncio sobre Brasil para ajudar Flávio, diz Washington Post

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Trump manteve silêncio sobre Brasil para ajudar Flávio, diz Washington Post

Um assessor da Casa Branca afirmou ao jornal americano The Washington Post que a falta de grandes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de seu secretário de Estado, Marco Rubio, sobre as eleições brasileiras foi estratégica para beneficiar Flávio Bolsonaro (PL).

Parte das informações já haviam sido adiantadas pelos analistas de Internacional da CNN Brasil Américo Martins e Lourival Sant’Anna.

A reportagem publicada nesta terça-feira (6) destaca que Trump não hesita antes de se envolver com outras eleições no exterior, mas que, desta vez, manteve um silêncio “incomum” no primeiro turno deste domingo (4).

Depois da confirmação de que Flávio iria ao segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com vantagem para o primeiro, os líderes norte-americanos pouco vocalizaram seu apoio ao bolsonarista.

Rubio disse apenas que acompanharia os desdobramentos e que resultado era esperado; já Trump chegou a dizer que resultado era uma vitória ao ser perguntado por jornalistas, mas sem entrar em detalhes.

De acordo com a fonte do Post, a decisão foi tomada pela dinâmica da “tumultuada” campanha eleitoral brasileira.

“O pensamento era: ‘Fiquem quietos’”, disse o assessor, que falou sob condição de anonimato para discutir o pensamento do governo. “Se um apoio for contraproducente, não o deem.”

O motivo seria evitar a instrumentalização do caso por Lula e mais uma acusação de interferência nas eleições. A Casa Branca teria avaliado que qualquer declaração mais contundente aumentaria o apoio ao candidato à reeleição.

A fonte da Casa Branca afirmou que deixariam a corrida continuar, afim de “minimizar qualquer aparência ou fundamento para o argumento de que os EUA estão interferindo.”

“Conseguíamos ver isso nos dados”, disse o assessor. “Sempre que Lula usava Trump para dizer: ‘Os EUA estão tentando abusar de nós e tirar vantagem de nós’, isso repercutia positivamente no público. Mas toda vez que ele dava um passo atrás e deixava a campanha se concentrar no Brasil e em questões internas brasileiras”, o ímpeto parecia diminuir.

Investigação por interferência

O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, disse neste domingo (4) que a corporação abriu um procedimento de investigação sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.

Segundo Andrei, a PF recebeu uma representação da AGU (Advocacia-Geral da União) após o jornal The Guardian publicar sobre um projeto norte-americano intitulado de “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”, que previa cerca de R$ 5 milhões em recursos para grupos de oposição a supostos abusos do poder judicial e censura do STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo o diretor-geral da PF, a apuração ainda está em andamento sob caráter preliminar, sem instauração formal de inquérito.

Além disso, Andrei Rodrigues garantiu que “não há risco efetivo ou elemento concreto” e nem a existência de um plano contra embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália em Brasília. Ambas suspenderam atendimentos consulares às vésperas das eleições como medidas de segurança por suposta ameaça de ataque terrorista.

Reportagem do The Guardian

Segundo o veículo, o valor seria investido em organizações que são contra o que consideram “abuso de poder judicial e censura” por parte do STF.

O valor faz parte de um pacote de US$ 175 milhões (cerca de R$ 918 milhões) do principal fundo de direitos humanos do Departamento de Estado americano. Além do Brasil, os valores do pacote também seriam destinados a outros projetos pelo mundo, afirmou o jornal.

O Guardian diz que US$ 40 milhões seriam destinados a um fundo anticomunista, um grupo de direitos dos sul-africanos brancos também receberia apoio e aliados ideológicos dos Estados Unidos na Europa entrariam em programas de recompensas.

Em outras medidas contra o STF, o governo americano já sancionou o ministro Alexandre de Moraes, em julho de 2025, com base na Lei Magnitsky, como punição por supervisionar o julgamento que levou à condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe, após perder a disputa pela reeleição em 2022.

Os EUA posteriormente revogaram as sanções em dezembro. Agora, o financiamento aos grupos no Brasil acontece enquanto o governo do presidente Lula vê uma tentativa de interferência de Washington nas eleições brasileiras.

Lula afirmou anteriormente estar “muito preocupado” com possível interferência de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, nas eleições do Brasil, durante entrevista à Christiane Amanpour, âncora da CNN.

“Já há indícios de interferência de inteligência artificial; eu estou muito preocupado com o Marco Rubio, porque o Marco Rubio é muito ligado ao pessoal do bolsonarismo, mas, por enquanto, é só suspeita”, comentou ele.

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