Marília Arraes, senadora eleita por Pernambuco pelo PDT, concedeu entrevista ao Bastidores CNN após o resultado do primeiro turno das eleições e defendeu que os partidos que apoiam Lula precisam trabalhar para atrair eleitores moderados no segundo turno.
Ela foi a segunda mulher eleita para o Senado na história do estado, com cerca de 25% dos votos.
Ao avaliar o desempenho da esquerda no pleito, Arraes reconheceu que uma onda conservadora atravessou o Brasil. “A gente precisa ter um olhar atento, enxergar onde foi que nós erramos”, afirmou.
Segundo ela, o algoritmo das redes sociais representa um obstáculo para o campo político progressista, sendo necessária uma regulamentação das Big Techs.
Estratégia para o segundo turno
Arraes revelou ter participado de uma reunião estratégica com Lula no dia anterior à entrevista. Na ocasião, discutiu-se a necessidade de readequar tanto a comunicação quanto a relação com lideranças políticas.
“Acredito que agora, nesse segundo turno, é o momento de nós procurarmos aquelas lideranças que não são declaradamente bolsonaristas para tentar trazê-las para o nosso projeto”, declarou a senadora.
Ela também citou a governadora eleita de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), que afirmou não apoiar nenhum dos candidatos no segundo turno.
“O que está em jogo é um projeto de país”, enfatizou.
Prioridades no Senado e reforma tributária
Questionada sobre suas prioridades no mandato, Arraes destacou a redução das desigualdades regionais e entre pessoas como bandeira central.
Ela chamou atenção para os impactos da reforma tributária sobre os estados do Nordeste, apontando que o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional previsto para toda a região em 2029 seria inferior ao valor que um único estado nordestino, como o Ceará, já entregou em isenções fiscais para atrair investimentos.
“A gente vai sair de uma guerra fiscal para uma guerra monetária, o que não é interessante para regiões que precisam de um apoio maior da União para se desenvolver”, alertou.
A senadora também defendeu investimentos em saúde pública, educação, ciência e cultura como pilares para o desenvolvimento do pensamento crítico da população.
Ela ressaltou a importância de uma comunicação mais próxima da realidade do trabalhador brasileiro, afirmando que temas como moradia, alimentação, emprego e aumento real do salário mínimo devem ser o foco da mensagem política.
“A população quer comida no prato, está preocupada com a carestia, com os juros, está preocupada com a moradia”, concluiu.

