Gustavo Scarpa, meia do Atlético-MG, tornou-se uma sensação nas redes sociais nas últimas semanas após compartilhar uma resenha de “A Morte de Ivan Ilitch”, de Liev Tolstói. O vídeo viralizou, já soma mais de 730 mil visualizações, e a obra passou a liderar as vendas da Amazon no Brasil.
As publicações do jogador sobre literatura inspiraram torcedores a criar de um clube do livro do Galo: o Galeitura, que já soma mais de 100 mil seguidores no Instagram. Em entrevista à CNN Brasil, o atleta destacou a repercussão no futebol.
“Mais feliz do que pessoas fora do futebol começando a me acompanhar e deixando mensagens tão positivas, foi ver [a repercussão] no meio do futebol. Outras torcidas começarem a aderir ao movimento da Galeitura e criarem clubes do livro assim para os seus clubes”, afirmou.
“Achei demais porque o futebol é muito passional. A gente sabe da rivalidade e o tanto que isso atrapalha numa interação de torcedor de um clube com o de outro time. Ver que eu, de certa forma, tenho conseguido juntar todo mundo por meio dos livros é muito maneiro”, disse.
O atleta, que disputa na atual temporada o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e a Sul-Americana pelo time mineiro, também falou sobre como essa história repercutiu com o elenco do Galo.
“Alguns meninos que estão lendo, tipo o Victor Hugo e Léo Duarte, são uma molecada que já lia antes de me conhecer, então a gente troca umas indicações. O Victor Hugo até me indicou o livro, “A Empregada”, da Frida McFadden. A gente leu junto e até gravei vídeo com ele no meu canal”, contou.
Livros “podem impactar mais jogadores”
Questionado sobre uma entrevista de 2025, em que diz se sentir isolado do elenco por ter hobbies e opiniões diferentes, Scarpa disse que não sabe se a iniciativa literária vai aproximá-lo dos colegas, mas acredita que pode impactar ainda mais jogadores.
“Eu acho que está no começo ainda, mas esse negócio do livro, acho que vai impactar mais jogadores. Não sei se vai facilitar mais o meu convívio ou não, mas claro que acaba gerando um pouco mais de assunto com outras pessoas. Teve jogador ali que começou a ler e já está indo para o segundo livro”, disse.
“Acho que realmente pode acontecer alguma mudança, mas eu confesso que não é algo que seja um sonho meu, tipo: ‘Nossa, agora eu vou ter com quem conversar’. Acho que é natural, sabe? Eu não forço relacionamento nenhum, também respeito demais o espaço dos outros“, continuou.
“Naquela entrevista, o que eu tentei passar foi como às vezes eu tenho uma opinião diferente. Ninguém quer ter o cara chato do contra na sua roda de amigos. Se pedirem minha opinião, eu vou ter que falar a verdade e então, para não ser o cara do contra e o cara chato ali, prefiro às vezes ficar um pouquinho afastado”, explicou.
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