Os protestos de estudantes e professores reúnem mais de 450 mil pessoas na França nesta terça-feira (6), de acordo com as estimativas dos organizadores. Já o Ministério do Interior registra 250 mil manifestantes.
Essa é considerada a maior mobilização de estudantes no país em décadas.
Diante da crise, o presidente Francês Emmanuel Macron convocou ministros e deve realizar uma entrevista coletiva no Palácio do Eliseu na noite desta terça-feira (horário local), segundo informações da BFMTV.
“SOMOS 450 ML EM TODO A FRANÇA! É HISTÓRICO”, afirma a publicação da
L’Union Étudiante, uma das principais organizações de estudantes da França.
NOUS SOMMES 450 000 PARTOUT EN FRANCE !!!! C’EST HISTORIQUE https://t.co/qSN2gnenHA
— L’Union Étudiante (@unionetudiante_) October 6, 2026
Estudantes, professores e pais saíram às ruas em todo país. .
Em Marselha e Nantes, os manifestantes exibiram cartazes com frases como “O Estado matou a educação nacional”. Em Estrasburgo, Lyon e Rennes, os protestos se tornaram violentos e houve confronto com a polícia.
Os protestos começaram no mês passado nos subúrbios pobres de Paris e se espelharam. A mobilização representa um desafio para o presidente Emmanuel Macron.
“Queremos mais recursos para o sistema educacional nacional, para que as escolas de ensino médio sejam reformadas”, disse Roberta, recém-formada do ensino médio, em um protesto em frente à prestigiada escola Henri IV, em Paris.
As escolas enfrentavam uma série de problemas, desde vazamentos de água até infestações de ratos, acrescentou Roberta.
O governo respondeu às manifestações com a polícia de choque.
Grupos de direitos humanos, estudantes e associações de pais acusaram as autoridades de usar força desproporcional contra menores. O governo afirma que o movimento de protesto foi sequestrado por pessoas de fora e se transformou em violência urbana.
O Ministério do Interior da França informou que 6.100 pessoas foram presas desde o início dos protestos, sendo a esmagadora maioria delas menores de idade.
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Adolescente perde a mão em confronto
Durante os confrontos entre manifestantes e a polícia de choque um adolescente perdeu a mão no norte da França.
O jornal regional La Voix du Nord informou que o jovem de 15 anos perdeu a mão e parte do antebraço após pegar uma granada de dispersão da polícia.
Governo promete mudanças, mas manifestantes dizem que não é suficiente
Diante da crise, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu ordenou que seus ministros atendam às principais reivindicações dos estudantes.
Essas reivindicações incluem a garantia da substituição de professores ausentes, uma revisão da duração do dia letivo, que vai das 8h às 18h, e a necessidade de intervalos mais longos para o almoço.
O governo também analisará os reparos necessários nos prédios escolares antigos, disse Lecornu, que exigiu que os ministros apresentassem suas primeiras propostas até o final de outubro.
Mas manifestantes afirmam que essas promessas não são suficientes. E encontrar recursos financeiros para implementar as reformas educacionais será difícil. O governo está sob pressão para tentar reduzir um déficit orçamentário que cresce vertiginosamente.
*Com informações da Reuters

