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OEA aponta interferência externa e desinformação na eleição brasileira

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
OEA aponta interferência externa e desinformação na eleição brasileira

A missão de observação eleitoral da OEA (Organização dos Estados Americanos) afirmou que o ativismo político internacional durante as eleições brasileiras chegou ao “extremo de incluir insultos contra uma das candidaturas”.

Em relatório divulgado nesta terça-feira (6), o grupo pediu que atores nacionais e internacionais ajam com responsabilidade e respeito às instituições brasileiras e à vontade soberana da população.

O documento não identifica quem proferiu os insultos nem qual candidatura foi alvo. A avaliação aparece na seção dedicada à campanha e à comunicação digital.

“Assim como já foi observado pelas MOEs da OEA em outras ocasiões, verifica-se uma tendência cada vez mais frequente de chefes de Estado fazerem declarações públicas sobre processos eleitorais em andamento em outros países do continente”, afirma o relatório.

“A MOE/OEA observou que as eleições no Brasil não ficaram isentas desse ativismo político internacional e, inclusive, que, neste caso específico, esse ativismo chegou ao extremo de se proferirem insultos contra uma das candidaturas.”

Segundo a missão, representantes políticos e da sociedade civil manifestaram preocupação com declarações e ações de atores internacionais que poderiam ter impactado a campanha.

O relatório também registra que o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, afirmou, em entrevista coletiva ao fim do primeiro turno, que “não foram constatados fatos que indicassem interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro”.

A missão menciona ainda que as semanas que antecederam a eleição foram “marcadas pela disseminação em massa de informações falsas”.

“Em relação aos conteúdos da campanha, mais uma vez as semanas que antecederam a eleição foram marcadas pela disseminação em massa de informações falsas”, declaram.

A organização definiu como “particularmente preocupante” a circulação de informações falsas e enganosas a respeito das eleições e ataques infundados ao sistema eleitoral, por mais que os partidos e instituições tenham se esforçado no combate a desinformação. 

Apelo para o segundo turno

Ao reconhecer a realização de uma jornada de votação cívica e pacífica no domingo (4), a OEA convidou candidatos, equipes de campanha e apoiadores a promover “um ambiente de respeito na próxima etapa da disputa”, com foco em propostas e no intercâmbio de ideias.

“Ao mesmo tempo, a Missão apela a todos os atores, nacionais e internacionais, para que ajam com responsabilidade e respeito às instituições brasileiras e à vontade soberana do povo”, diz o documento.

Liderada pelo ex-secretário-geral da OEA e ex-ministro das Relações Exteriores do Chile José Miguel Insulza, a missão contou com 91 observadores de 23 nacionalidades e realizou mais de uma centena de reuniões com autoridades, candidaturas, partidos e representantes da sociedade civil.

A equipe retornará ao Brasil para acompanhar o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

*Sob supervisão de Douglas Porto

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