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Militar dos EUA é preso sob suspeita de homicídio no Japão e gera revolta

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Militar dos EUA é preso sob suspeita de homicídio no Japão e gera revolta

Um fuzileiro naval dos Estados Unidos foi preso no domingo (4) sob suspeita de homicídio e roubo, após o corpo de uma mulher ter sido encontrado em um quarto de hotel em Okinawa.

O caso gerou indignação em todo o Japão, com o governador local afirmando que isso demonstrou que os esforços dos EUA para manter a disciplina entre suas tropas eram “completamente ineficazes”.

Anna Yagi, de 39 anos, foi encontrada inconsciente em seu quarto de hotel na cidade de Naha, na ilha de Okinawa, e teve a morte constatada no local na madrugada de sábado (3), informou a polícia de Okinawa.

A polícia disse à CNN que Yagi “morreu por asfixia após ser estrangulada”.

O cabo Devin Jacob Ballard, um fuzileiro naval de 20 anos lotado na III Força Expedicionária de Fuzileiros Navais dos EUA na Base Aérea de Futenma, estava sob custódia das autoridades locais, segundo informaram a polícia e os militares americanos.

Este caso é o mais recente de uma série de acusações criminais envolvendo agentes dos EUA em Okinawa.

O país, que abriga instalações militares americanas, incluindo algumas das maiores bases dos EUA no exterior, tem sido palco de protestos locais contra a presença americana há anos.

Nesta terça-feira (6), todas as tropas dos EUA em Okinawa foram informadas de que ficariam restritas às bases por 48 horas e deveriam passar por um treinamento sobre “padrões, disciplina e nossas responsabilidades como membros da comunidade de Okinawa”.

O tenente-general Benjamin T. Watson, coordenador da área de Okinawa e comandante da III Força Expedicionária de Fuzileiros Navais, afirmou que a “pausa operacional de 48 horas” começaria ao meio-dia de quarta-feira (7) e que os comandantes “não permitiriam a saída das bases”.

Durante a pausa, as tropas serão lembradas, de forma “intencional e significativa”, dos “padrões que definem nossa profissão”. Haverá também uma “proibição total do consumo de álcool”.

Um “período de reflexão” de 30 dias sucederá o treinamento, incluindo um toque de recolher na base entre a meia-noite e as 5 da manhã.

Promotores podem apresentar denúncia; EUA lamentam caso

Imagens de câmeras de segurança teriam mostrado um homem — que se acredita ser estrangeiro e de cabeça raspada — entrando no quarto de hotel com a mulher e, mais tarde, saindo do prédio com os pertences dela nas mãos, informou a polícia.

A polícia de Okinawa disse à CNN que o suspeito inicialmente negou as acusações, mas que a corporação estava evitando comentar “como o suspeito está reagindo durante o interrogatório”.

Os promotores decidirão agora se apresentarão denúncia formal.

A III Força Expedicionária de Fuzileiros Navais informou, na segunda-feira, que não forneceria mais detalhes pessoais ou administrativos sobre Ballard, citando a necessidade de preservar a integridade da investigação em curso.

Em um comunicado divulgado no domingo, o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA expressou condolências à família da vítima e afirmou que encara as acusações “com muita seriedade, esperando que todo fuzileiro naval siga os mais elevados padrões de conduta”.

“Estamos cooperando ativamente com as autoridades japonesas em resposta às alegações de atos criminosos graves cometidos por um fuzileiro naval”, declarou a corporação.

Caso geral revolta no Japão

No entanto, o suposto homicídio provocou indignação entre políticos e lideranças no Japão.

“O fato de esse tipo de evento ter ocorrido novamente não nos deixa outra alternativa senão concluir que os esforços das forças armadas dos EUA para manter a disciplina, instruir o efetivo e adotar outras medidas do gênero são totalmente ineficazes”, publicou o governador de Okinawa, Genta Koja, na rede social X.

A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que seu governo “protestou veementemente junto ao lado americano e exigiu a máxima cooperação possível com a investigação, rigorosa disciplina entre o pessoal militar dos EUA e medidas abrangentes para evitar a reincidência de crimes e acidentes”.

A embaixada dos EUA em Tóquio informou, também no X, que estava “ciente de que um militar americano está sob custódia após a morte de um cidadão japonês em Okinawa”.

“Como uma investigação está em andamento para apurar os fatos do caso, os Estados Unidos estão mantendo contato e cooperando com o governo do Japão e as autoridades locais”, acrescentou a embaixada.

O corpo da mulher foi encontrado por volta das 4h30, no horário local, de sábado, e o fuzileiro naval dos EUA foi preso menos de 24 horas depois, à 1h, no horário local, enquanto caminhava pela cidade, informou a corporação.

A emissora pública japonesa NHK noticiou na segunda-feira (5), citando fontes, que a mochila da vítima foi encontrada perto do local do crime e que sua carteira ainda estava dentro dela.

No ano passado, um fuzileiro naval dos EUA foi condenado a sete anos de prisão após ser considerado culpado de estrangular e agredir sexualmente uma mulher em Okinawa.

Em 2016, dezenas de milhares de pessoas protestaram exigindo o fim da presença militar dos EUA em Okinawa, após o assassinato de uma moradora local por um funcionário civil lotado na Base Aérea de Kadena.

“Estamos comprometidos em ser vizinhos disciplinados e responsáveis ​​e em preservar a confiança das comunidades locais com as quais convivemos e servimos”, declarou a III Força Expedicionária de Fuzileiros Navais na segunda-feira.

*Aleena Fayaz, Bruna Horvath, Yumi Asada, Hana Saeki, Hanako Montgomery e Ivana Kottasová, da CNN, contribuíram para esta reportagem

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