Uma maratona entre as cidades de Minneapolis e Minnesota, no domingo (4), produziu uma cena bastante curiosa. Um dos corredores completou o percurso carregando uma canoa – completamente funcional e de tamanho original – em sua cabeça.
A motivação de Travis Meier, 38, não foi um simples desafio físico. Ele contou ao Minnesota Star Tribune que já participou de outras três maratonas e, apesar do tamanho, sua canoa de fibra de carbono pesava pouco mais de oito quilos.
“Quando você tem a força nos ombros e no abdômen, e ela vira parte de você, carregar a canoa fica bem confortável”, disse. “Não é um feito extraordinário, de forma alguma. Você só precisa ter boa percepção do espaço e foco.”
A escolha inusitada, segundo o participante, pretende chamar a atenção do público para o risco de contaminação das águas do ecossistema de rios Boundary Waters, que atravessa múltiplos parques e florestas dos Estados Unidos.
Travis Meier se descreve como um “Lorax” para a reserva natural de Boundary Waters, onde é permitida a prática de canoagem. Lorax é um personagem fictício, criado pelo autor infantil Dr. Seuss, que atua como guardião das florestas.
Meier disse ao jornal de Minnesota que “as terras públicas estão sob ataque, mais do que nunca”. Ele, que foi escoteiro e pratica canoagem desde a infância, quis protestar contra uma proposta de mineração do solo em torno dos rios de Boundary Waters.
Uma das entidades parceiras da prova Twin Cities Marathon foi a Save the Boundary Waters, que visa proteger o espaço das ameaças externas e projetos de exploração.
Travis, no entanto, não pediu autorização à organização nem avisou sobre seus planos de carregar uma canoa durante o percurso. Ele chegou a ser abordado por funcionários e avisado dos riscos à segurança dos corredores; o regulamento proibia o uso de roupas e acessórios que ultrapassassem o perímetro do corpo.
Próximo ao fim da corrida, um membro da equipe alertou que o corredor seria desclassificado caso cruzasse a linha de chegada carregando sua canoa. Meier então decidiu colocar o objeto no chão, fora das barreiras da maratona, para completar a prova.
Ao Star Tribune, ele admitiu que esperava ser abordado e até expulso pela equipe da maratona; no entanto, não se arrepende de quebrar as regras: “Essa causa, ao meu ver, vale muito mais”.

