O presidente da França, Emmanuel Macron, fará nesta terça-feira (6) uma reunião com vários ministros, incluindo o primeiro-ministro Sébastien Lecornu e o ministro da Educação Nacional Édouard Geffray, para discutir a resposta aos protestos que tomaram o país nas últimas semanas.
A convocação foi confirmada pela emissora BFMTV.
Lecornu condenou os episódios de violência registrados em escolas durante uma sessão de perguntas e respostas na Assembleia Nacional.
A declaração ocorreu em meio a confrontos durante protestos contra as condições de ensino em cidades de todo o país. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes.
Lecornu afirmou que 215 estudantes ficaram feridos nos episódios recentes de violência, a maioria em agressões e, em menor número, em acidentes. Segundo ele, 85 funcionários das escolas também ficaram feridos, incluindo 34 diretores e vice-diretores.
“É o maior número de funcionários públicos feridos em décadas no sistema nacional de educação”, afirmou o primeiro-ministro. Ele também disse que 715 policiais e integrantes da polícia militar ficaram feridos.
Lecornu defendeu a atuação das forças de segurança e rejeitou o que chamou de “mentiras” sobre a polícia. Segundo ele, há duas acusações que estariam dividindo a sociedade e colocando a população contra as forças de segurança: a alegação de uso deliberado e desproporcional da força e a acusação de que policiais e integrantes da polícia militar seriam racistas.
Grupos de defesa dos direitos humanos, estudantes e pais acusaram as autoridades de usar força desproporcional contra menores de idade. O governo afirma que o movimento de protestos foi infiltrado por pessoas de fora e acabou se transformando em violência urbana.
O ministro da Educação, Edouard Geffray, reconheceu que é necessário melhorar as condições, especialmente nas escolas de ensino médio. “Hoje, claramente, precisamos fazer mais e melhor”, afirmou.
Lecornu havia pedido anteriormente que os ministros apresentassem, até o fim de outubro, propostas para melhorar as condições nas escolas. Os protestos têm incluído reivindicações por mais professores, melhores condições de infraestrutura e aumento dos investimentos em educação.
Entenda protestos
Milhares de manifestantes lotaram as ruas de Paris nesta terça-feira (6) participando de uma marcha em apoio a um movimento estudantil do ensino médio, enquanto protestos em todo o país agitava a França. São maiores protestos estudantis das últimas décadas.
Segundo a União dos Estudantes, 450 mil pessoas participaram das manifestações em todo o território francês, incluindo 100 mil em Paris. O levantamento é da BFMTV.
A polícia disparou gás lacrimogêneo contra manifestantes que bloqueavam escolas de ensino médio francesas, à medida que estudantes, professores e pais saíam às ruas no maior dia de mobilização de uma onda de protestos contra salas de aula precárias e falta de funcionários.
“Por enquanto, está indo muito bem. Vemos o movimento ganhar cada vez mais força desde o seu início”, disse Ryad Rani, líder do sindicato de estudantes do ensino médio da França. “Continuaremos mobilizados e não cederemos nada… Migalhas não servem para nós.”
Os protestos começaram em setembro nos subúrbios carentes de Paris antes de se espalharem por todo o país, representando um grande desafio para o governo do presidente Emmanuel Macron — que enfrenta restrições orçamentárias e fortes ventos contrários na economia.
O governo respondeu às manifestações com a polícia de choque.
Grupos de defesa de direitos, estudantes e associações de pais acusaram as autoridades de usar força desproporcional contra menores.
O governo afirma que o movimento de protesto foi infiltrado por pessoas de fora e transformou-se em violência urbana.
O Ministério do Interior da França informou que 6.100 pessoas foram detidas desde o início dos protestos, sendo a grande maioria menores de idade.
Mais de 1.800 pessoas estão sendo processadas, incluindo 1.483 menores, segundo o Ministério da Justiça, que não especificou os crimes.
Pelo menos 715 policiais e 215 adolescentes ficaram feridos em confrontos, de acordo com o gabinete do ministro Sébastien Lecornu.

