O Ministério da Defesa da França informou nesta terça-feira (6) que realizou o primeiro teste de lançamento do míssil balístico intercontinental de última geração M51.3, que foi disparado de submarino, reforçando sua capacidade de dissuasão nuclear em meio às tensões elevadas com a Rússia.
O míssil M51.3, que não estava equipado com ogiva nuclear, foi lançado ao largo da costa da Bretanha como parte de uma operação para certificar a capacidade do submarino nuclear Le Vigilant de operar o armamento após uma grande revisão de manutenção, afirmou o ministério em comunicado.
O órgão informou que o lançamento foi realizado sem carga útil e em estrita conformidade com as obrigações internacionais.
Embora o anúncio não tenha mencionado a Rússia, o teste ocorre depois que o presidente Vladimir Putin alertou o Ocidente, na semana passada, para não escalar o impasse sobre a Ucrânia, chamando atenção para Kaliningrado.
A região russa fica situada entre a Polônia e a Lituânia, países-membros da União Europeia. Putin deixou claro que defenderia a área com armas nucleares, se necessário.
Macron destaca mensagem “clara e inequívoca”
A Otan, a aliança militar ocidental, afirmou que nenhum de seus “exercícios ou atividades representa uma ameaça ao território da Federação Russa”.
Putin também disse que a Rússia não tinha planos de atacar nenhum país europeu e desejava coexistir pacificamente.
“Hoje estamos mais fortes. A mensagem foi enviada de forma clara e inequívoca para onde quer que deva ser recebida”, disse o presidente Emmanuel Macron em um vídeo na rede social X, no qual aparece acompanhando o lançamento.
À bord de la frégate multi-missions Auvergne, j’ai assisté au premier tir du nouveau missile balistique M51.3 depuis le sous-marin nucléaire lanceur d’engins Le Vigilant. Très peu de nations disposent d’un tel savoir-faire. Félicitations à tous les acteurs de cette réussite exceptionnelle : DGA, CEA, Ariane Group, Naval Group et Marine nationale. Votre professionnalisme, votre rigueur et votre maîtrise technique sont la fierté de la France. Ce succès technique est une nouvelle démonstration de la crédibilité de notre dissuasion, dont la pérennité est assurée. Pour être libre, il faut être craint. Et pour être craint, il faut être puissant. Pour protéger les Français dans la durée face aux menaces, j’ai engagé dès 2017 le renouvellement de nos moyens pour les décennies à venir. En dix ans, le budget de nos armées aura doublé. Nos futurs sous-marins stratégiques sont actuellement en chantier. Le programme de missiles stratégiques hypersoniques et manœuvrants, qui équiperont notre composante aérienne de dissuasion, a été lancé cette année. Notre dissuasion nucléaire nous protège et continuera à nous protéger. Vive la République et vive la France.
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) October 6, 2026
Em março, Macron afirmou que a França ampliaria seu arsenal nuclear e lançou uma iniciativa oferecendo aos parceiros europeus exercícios conjuntos, a possível implantação a curto prazo de meios com capacidade nuclear em território aliado e consultas mais aprofundadas.
Desde então, a mensagem de prontidão para arcar com os custos da defesa dos valores e da segurança da França tem sido um tema constante.
A França gasta cerca de 5,6 bilhões de euros por ano para manter seu estoque de 290 armas lançadas por submarinos e aeronaves — o quarto maior arsenal do mundo.
O Reino Unido possui 225 ogivas nucleares; a Rússia e os Estados Unidos possuem mais de 5.000 cada.
O M51.3 é a versão mais recente do míssil que entrou em serviço em outubro de 2025, como parte da modernização da dissuasão nuclear da França.
Paris não divulga o alcance do M51.3, mas estimativas disponíveis publicamente para a família M51 geralmente situam seu alcance em cerca de 9.000 km ou mais. Autoridades francesas afirmaram que a nova versão pode alcançar distâncias maiores.
A França mantém um arsenal nuclear baseado em armas lançadas do ar e do mar, com quatro submarinos de mísseis balísticos constituindo a espinha dorsal de sua dissuasão oceânica.

