Em todo o Brasil, são estimados 78.610 novos casos de câncer de mama por ano para o triênio 2026 a 2028, segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer). Entre os alertas de especiliastas durante a campanha Outubro Rosa, estão os cuidados com a saúde bucal de pacientes que passam por quimioterapia.
A quimioterapia pode resultar em alterações na saliva e nas condições da gengiva, afetando o conforto e a qualidade de vida da paciente.
De acordo com a cirurgiã-dentista Luisa Casado, as pacientes que irão passar por quimioterapia devem iniciar o acompanhamento odontológico ainda antes do início do tratamento.
Quanto mais cedo identificarmos problemas como inflamação gengival, cáries ou infecções, maior a possibilidade de trabalhar preventivamente e acompanhar essas alterações ao longo do tratamento.
diz Luisa Casado
Possíveis consequências
Um estudo publicado no International Journal of Dental Hygiene avaliou os problemas de saúde bucal em 40 mulheres, que foram acompanhadas por 24 semanas. Metade estavam com câncer de mama e gengivite, e a outra metade sem a doença, também com gengivite.
Embora ambos os grupos tenham apresentado redução da placa bacteriana e do sangramento gengival após a intervenção, as pacientes em quimioterapia enfrentaram maior dificuldade no controle da inflamação periodontal ao longo do tempo.
Além disso, observou-se uma queda progressiva no fluxo salivar nas avaliações de 6, 12 e 24 semanas.
A dentista explica que a prevenção é fundamental nesse período. “Se a paciente inicia a quimioterapia já com inflamação gengival, precisamos de monitoramento constante para evitar o agravamento do quadro. O objetivo é atuar em conjunto com a equipe médica e preservar o equilíbrio da saúde bucal”, explica Luisa.
Outra pesquisa brasileira publicada em 2026, no Journal of Clinical and Experimental Dentistry, acompanhou 68 mulheres submetidas ao protocolo quimioterápico AC-T (combinação de doxorrubicina, ciclofosfamida e taxanos).
A partir do terceiro ciclo, foi constatada redução salivar, piora periodontal e alterações no paladar. A redução da saliva é um ponto crítico, já que compromete a proteção natural da boca.
Luisa Casado explica que com o fluxo salivar reduzido, a paciente sente mais desconforto e fica mais suscetível à desmineralização e ao surgimento de cáries.
O que fazer?
A recomendação diante desses riscos é realizar uma avaliação odontológica completa antes do início da quimioterapia, identificando cáries, infecções e periodontite.
Caso haja focos de infecção, alinhamos a melhor conduta com os oncologistas. Durante a quimioterapia, o foco passa a ser preventivo e de alívio de sintomas — como na mucosite oral decorrente da baixa imunidade, em que a laserterapia é fortemente indicada para reduzir o incômodo e acelerar a cicatrização.
afirma a cirurgiã-dentista
Veja os principais cuidados abaixo:
- Fazer uma avaliação odontológica antes do início da quimioterapia, quando possível;
- Manter uma rotina adequada de higiene bucal;
- Utilizar escova macia e evitar movimentos agressivos durante a escovação;
- Manter o controle da placa bacteriana;
- Realizar acompanhamento odontológico durante o tratamento;
- Informar ao dentista todos os medicamentos utilizados;
- Comunicar à equipe de saúde qualquer alteração na boca, como feridas, sangramento, dor, inchaço ou ressecamento intenso;
- Não realizar procedimentos odontológicos invasivos sem conversar previamente com a equipe responsável pelo tratamento oncológico.
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