O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) classificou nesta segunda-feira (5) o resultado das eleições no Rio de Janeiro como uma “consagração dos corruptos”.
A manifestação ocorreu após o político desistir do recurso apresentado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para tentar validar sua candidatura ao governo estadual.
Em coletiva, Garotinho afirmou que não pretende continuar questionando a atuação da Justiça Eleitoral e voltou a dizer que teria sido alvo de perseguição.
“Não perderei tempo reclamando da Justiça Eleitoral, pois a imensa maioria da população viu a perseguição sofrida por mim tão clara como a luz do sol.”
O ex-governador disse que denuncia há anos o que considera uma deterioração das instituições fluminenses. Em seguida, atacou o resultado das eleições proporcionais. ”A votação representou a consagração dos corruptos, grande parte reeleita para a Alerj [Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro] e a Câmara Federal”, afirmou.
Para sustentar que parte do eleitorado não se identifica com os dois primeiros colocados, Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD), Garotinho mencionou os números de abstenções e votos nulos.
Segundo os dados de apuração, aproximadamente 3 milhões dos 12,8 milhões de eleitores aptos não compareceram às urnas. Outros 675.292 anularam o voto.
“Os números mostram que o povo não confia em nenhum dos dois, e números não mentem jamais”, disse.
Desistência pode alterar resultado no Rio
A defesa de Garotinho protocolou nesta segunda-feira a desistência do recurso contra o indeferimento de sua candidatura. No documento, os advogados afirmaram que a decisão foi tomada de forma “livre, expressa, consciente e irretratável”.
Garotinho terminou a votação em terceiro lugar, com 3,17% dos votos válidos, equivalentes a 274.411 votos. Douglas Ruas recebeu 49,27%, enquanto Eduardo Paes ficou com 42,76%.
Como a candidatura do ex-governador foi indeferida, a desistência abre caminho para a retirada definitiva dos votos de Garotinho do cálculo dos válidos. Nesse cenário, Ruas ultrapassaria os 50% necessários e poderia ser declarado eleito no primeiro turno.
A candidatura foi barrada em razão de uma condenação por improbidade administrativa relacionada a supostas fraudes e desvios de recursos na Secretaria de Saúde do Rio, entre 2005 e 2006.
A defesa sustentava que o período de suspensão dos direitos políticos havia terminado em agosto deste ano. O Ministério Público Eleitoral adotou entendimento diferente.

