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Lula avalia Alckmin na Fazenda para conquistar votos de centro, diz Reuters

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Lula avalia Alckmin na Fazenda para conquistar votos de centro, diz Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia nomear o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como seu próximo ministro da Fazenda caso seja reeleito, disseram duas pessoas familiarizadas com a proposta, em uma tentativa de reforçar sua credibilidade fiscal e conquistar eleitores de centro depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) superou as expectativas no primeiro turno.

Pela proposta, Alckmin permaneceria como vice-presidente e também assumiria o Ministério da Fazenda no próximo ano, consolidando sua autoridade sobre a política econômica, disseram as fontes, sob condição de anonimato porque as discussões são privadas. A proposta ainda está em discussão.

A Presidência da República não respondeu a um pedido de comentário.

Alckmin, um experiente político de centro, enfrentou Lula sem sucesso na disputa pela Presidência em 2006 e governou São Paulo em quatro oportunidades.

Ele também comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio de Lula até o início deste ano, tornando-se um interlocutor importante com Washington desde que os Estados Unidos impuseram amplas tarifas sobre produtos brasileiros.

Alckmin é amplamente considerado uma força moderadora no governo Lula e mantém fortes vínculos com o setor empresarial, embora críticos afirmem que sua influência tenha sido ofuscada, no atual mandato de Lula, por políticas amplamente vistas como inclinadas à esquerda.

Lula também considerou nomear Alckmin ministro da Fazenda em 2022, mas acabou escolhendo o integrante do Partido dos Trabalhadores Fernando Haddad para o cargo depois de vencer tanto o primeiro quanto o segundo turno.

Em busca de um quarto mandato não consecutivo, Lula terminou em segundo lugar no domingo, atrás do senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliado de Trump, em um resultado de primeiro turno que contrariou a maioria das pesquisas eleitorais, que apontavam uma vantagem apertada para o presidente.

O resultado, somado ao sucesso eleitoral dos aliados de direita do senador no Congresso, provocou uma forte alta nos mercados na segunda-feira, à medida que investidores apostaram que um governo Flávio Bolsonaro teria maior probabilidade de promover uma consolidação fiscal mais rápida, com maior apoio no Legislativo.

Desde que Lula assumiu o cargo, a dívida pública bruta do Brasil aumentou mais de dez pontos percentuais do PIB, chegando a 82,9%, uma importante vulnerabilidade para o líder de esquerda, apesar de a inflação estar abaixo das médias históricas, o crescimento econômico ter superado as expectativas, o desemprego estar em nível recorde de baixa e os salários reais terem avançado.

Em declarações após os resultados do primeiro turno no domingo, Lula sinalizou a importância de Alckmin para sua estratégia no segundo turno ao declarar que “ninguém neste país tem autoridade moral para me dar lições, nem a mim nem ao Alckmin, sobre política fiscal ou responsabilidade fiscal, diante do que ele fez no estado de São Paulo e do que nós fizemos no Brasil”.

A escolha de Alckmin poderia ajudar a atrair eleitores preocupados com a credibilidade fiscal que não estão dispostos a apoiar Flávio, mas que se desiludiram com o que consideram uma guinada cada vez mais populista do governo Lula, disseram as fontes.

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