Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou cerca de 5 milhões de votos a mais do que seu pai obteve no primeiro turno de 2022, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu aproximadamente 3 milhões de votos em relação ao mesmo pleito. A análise é do sociólogo e cientista político Antonio Lavareda ao CNN Eleições que identificou os segmentos do eleitorado responsáveis por essa migração.
Segundo Lavareda, a derrota de um incumbente não se explica necessariamente pelo crescimento do adversário, mas pela perda de votos próprios.
“O que explica a derrota de incumbente é a defecção”, afirmou o especialista, apontando que o grosso dessa defecção pode ser identificado por meio da comparação entre as últimas pesquisas das eleições de 2022 e de 2026.
Onde Lula perdeu votos
De acordo com Lavareda, a maior perda de Lula ocorreu no segmento masculino. Além disso, o candidato perdeu de forma expressiva entre eleitores de 16 a 24 anos, enquanto registrou perdas menores entre os eleitores de mais idade.
Na base da sociedade, tanto do ponto de vista de escolaridade quanto de renda, a queda também foi significativa. Já entre eleitores com formação universitária, a perda foi pequena, de apenas três pontos percentuais.
Lavareda destacou que esse dado questiona a hipótese de que temas relacionados ao STF teriam sido determinantes para a perda de votos de Lula. “A base da sociedade está preocupada mais com a sobrevivência e as questões econômicas que lhe afligem”, explicou o especialista.
Uma parte significativa desses votos, segundo ele, migrou para o campo ideológico oposto, ou seja, para Flávio Bolsonaro.
Cenário para o segundo turno
O especialista também avaliou o cenário de Minas Gerais, onde Flávio Bolsonaro obteve 5 pontos percentuais a mais do que Lula — resultado exatamente oposto ao de 2022.
Lavareda lembrou que, naquele ano, a terceira colocada no estado era Simone Tebet, cujos votos estariam, por adjacência ideológica, mais próximos de Flávio.
Para o segundo turno, Lavareda considerou Flávio Bolsonaro franco favorito, mas ressaltou que há incertezas sobre o encaminhamento dos votos de candidatos como Augusto Cury e Renan Santos.
Sobre este último, o especialista destacou a postura “crítica, dura e contundente” em relação a Flávio Bolsonaro, colocando em dúvida se esses votos migrariam integralmente para o candidato do PL.

