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Biquíni de lacinho vira patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Biquíni de lacinho vira patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro

Na indústria de moda, uma coisa é certa: há peças que contam história. Na orla das praias cariocas ou em qualquer canto do mundo onde o sol reine, poucas invenções traduzem tão bem a alma brasileira quanto o icônico biquíni de lacinho.

Lançado em 1946, em Paris, o item que ganhou sua versão queridinha pelas mãos do visionário David Azulay (1953-2009), à frente da BlueMan, recebeu reconhecimento à altura de sua importância cultural.

No início deste mês, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou um projeto de lei da vereadora Joyce Trindade, que declara o modelo patrimônio cultural imaterial da cidade. Segundo nota oficial, a iniciativa reconhece a importância da peça que se projeta no Brasil e no mundo.

À CNN Brasil, Sharon Azulay, filha de David, afirma que a conquista vai muito além de uma honraria. É a materialização de uma identidade construída com afeto, atitude e muita areia nos pés. “Para a gente, sim, é uma chancela enorme. O biquíni de lacinho ser declarado patrimônio é a validação de que moda é cultura e cultura é moda”, celebra Sharon.

“A Blueman viveu essa história. Ela estava lá nos anos 1970, no auge desse empoderamento do corpo, das pessoas mostrarem seus corpos e suas formas. Ver a tanguinha virar o sungão e o biquíni de lacinho nascer e transformar a liberdade de expressão é emocionante”.

A trajetória da marca se confunde com a própria história da moda praia no Brasil. Em uma época em que o mercado ainda engatinhava e não contava com as matérias-primas e tecnologias de hoje, a etiqueta desbravou o terreno ao introduzir inovações como a estamparia por airbrush, tintas especiais e os microbiquínis que moldaram gerações.

Mais do que isso, o famoso biquíni de lacinho, que deixou de ser um maiô de duas peças tradicional para se tornar o símbolo máximo da praia, ajudou a desenhar o comportamento do carioca.

“Não é um comportamento de passarela, é um comportamento de atitude, um lifestyle. É ver a menina jogando altinha, é notar como ela amarra o biquíni de um jeito único. É a essência de quem está na praia”.

Futuro sustentável

Carregar essa bandeira décadas depois, mantendo a marca inteira, jovem e pulsante, é um presente e tanto para quem faz o varejo pulsar na cidade. A etiqueta mantém vivo o DNA criativo, ao mesmo tempo em que olha firme para o futuro.

Hoje, a preocupação com a durabilidade, com as procedências e com a tecnologia limpa faz parte do dia a dia da Blueman que conta com certificações rigorosas, como o selo ABVTEX e processos que garantem o tratamento e reuso de água, provando que tradição e inovação caminham de mãos dadas.

“Eu amo escutar de uma cliente que ela tem um biquíni de 20 anos atrás e que ele continua novinho e inteiro”, conta Sharon, com orgulho.

Para ela, “carregar essa bandeira de forma tão incrível” legitima o esforço de “entregar o melhor para o cliente” e eterniza na cultura o legado de seu pai na moda.

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