O deputado federal e pastor Otoni de Paula (PSD-RJ), que já foi aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não foi reeleito à Câmara no domingo (4), cadeira que ocupava há sete anos. O candidato declarou apoio ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda no primeiro tuno deste ano.
Otoni, que se descreve como “conservador” em seu perfil do X (antigo Twitter), recebeu 19.364 votos e ficou como suplente.
O candidato foi eleito em 2018 e reeleito em 2022. Antes, em 2016, também foi vereador.
Na véspera do primeiro turno, o candidato fez uma publicação nas redes sociais em apoio a Lula. No vídeo, em que eles aparecem dando as mãos, o petista elogia o pastor e agradece o apoio.
“Quando o presidente da República olha nos seus olhos e diz que o Brasil precisa de você no Congresso, é porque o trabalho falou mais alto que qualquer discurso. Pessoas verdadeiras não têm vergonha de dizer a verdade. E foi exatamente isso que fizemos”, escreveu Otoni no post.
Durante a gestão de Jair Bolsonaro, Otoni manteve relação próxima com o ex-presidente, mas, nas eleições municipais de 2024, decidiu não apoiar o candidato do PL a prefeito do Rio, Alexandre Ramagem, e apoiou a reeleição de Eduardo Paes (PSD). À época, também chamou a atenção por fazer acenos a Lula em cerimônia de sanção do Dia Nacional da Música Gospel, no Palácio do Planalto.
Em entrevista à CNN em julho, Otoni já havia dito que não votaria no senador Flávio Bolsonaro (PL) para presidente e que apoiaria o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, também do PSD (Partido Social Democrático).
Questionado sobre um segundo turno entre Flávio e Lula, no entanto, o deputado defendeu um movimento de “direita com Lula”.
“Eu vou com Caiado, porque o Brasil precisa de uma opção. Nunca votei em Lula. Mas, se a polarização continuar no segundo turno, não caminho com a família Bolsonaro”, disse Otoni.
O candidato chegou a dizer que o grupo de eleitores evangélicos não vota em Flávio como votava no pai, Jair Bolsonaro.
“O movimento evangélico ainda vota em Flávio, mas não com a mesma pressão que votou no pai. Flavio não tem a mesma aderência”, destacou.
Antes, em fevereiro, também à CNN, Otoni disse que estava sendo alvo de críticas após dizer “que a igreja não é de direita e não é de esquerda”.

