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Analistas veem reprecificação de risco e juros após resultado do 1º turno

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Analistas veem reprecificação de risco e juros após resultado do 1º turno

O mercado está precificando as suas apostas após os resultados do primeiro turno da eleições de 2026, com o candidato Flávio Bolsonaro (PL) alguns pontos percentuais à frente do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O desfecho desse primeiro domingo de eleições contradiz a maioria das pesquisas, que mostravam Lula como o candidato com maior vantagem numérica em intenções de voto – apesar dos empates técnicos.

Segundo Silvio Cascione, diretor da Eurasia Group no Brasil, o otimismo do mercado após a votação reflete as mudanças estruturais no parlamento brasileiro, com a eleição de diversos congressistas do partido de Flávio Bolsonaro.

“Agora a gente tem um congresso bastante diferente com o crescimento de candidatos do PL eleitos. Nessa linha, se eleito, Flávio vai poder governar sem grandes obstáculos, diferente de Lula, caso ele ganhe”, afirmou Cascione ao CNN Money.

Nessa linha, a Eurasia estima que a chance de vitória do candidato do PL subiu para 70%.

Como efeito reativo, o dólar iniciou o dia com queda superior a 4%, novamente abaixo dos R$ 5. O dólar futuro para novembro também tinha queda de 4,78%, cotado aos R$ 5,0020.

Já de acordo com Thomas Monteiro, analista-chefe do Investing.com, a reação no dólar deve se estender para as ações brasileiras – sobretudo em relação à reprecificação do risco dívida no Brasil e trajetória de juros.

As taxas de DIs, por exemplo, despencavam pela manhã. Às 9h37, a taxa para janeiro de 2028 estava em 12,735%, em baixa de 77 pontos-base ante o ajuste de 13,509% da sessão anterior.

Na ponta longa da curva a termo, a taxa para janeiro de 2035 estava em 13,16%, com queda de 97 pontos-base ante 14,131%.

“A precificação internacional sobre as eleições com certeza deve impactar as decisões do Copom na próxima sessão”, afirmou o analista. De acordo com ele, a possível eleição de Flávio pode trazer mudanças significativas na curta curva de juros.

A curva longa, no entanto, ainda é uma incógnita de acordo com Monteiro.

Os certificados brasileiros no exterior também mostravam confiança nos resultados do primeiro turno. Os ADRs (American Deposit Receipts) cotados no exterior avançam expressivamente.

Em determinado ponto do pré-mercado de Nova York, as ações da Petrobras cotadas no exterior chegaram a subir cerca de 10%.

Ao mesmo tempo, o maior banco privado da América Latina, o Itaú Unibanco, registrava alta de mais de 12%, enquanto o banco Bradesco avançava 11% e a fabricante de aeronaves Embraer subia 6%.

As ações da empresa de comércio eletrônico e fintech Mercado Livre e do Nubank se valorizavam cerca de 6% e 10%, respectivamente.

“Existe muito valor a ser tirado dessas ações, e o investidor estrangeiro também está olhando pra isso”, constatou o analista.

No entanto, Monteiro ainda alerta que a composição de insegurança política e imprevisibilidade de longo prazo ainda não muda completamente, e deve ser trabalhado pelo candidato que for eleito.

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