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Experimento revela um novo superpoder dos polvos: usar espelhos para encontrar presas fora do seu campo de visão

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Experimento revela um novo superpoder dos polvos: usar espelhos para encontrar presas fora do seu campo de visão

Golfinhos, peixes e elefantes já provaram que conseguem reconhecer a si mesmos no reflexo de um espelho. Mas os polvos foram além: eles não só demonstram entender a lógica da imagem refletida, como também conseguem utilizá-la para expandir seu campo de visão e encontrar presas escondidas.

O experimento conduzido pela doutoranda Mary Kieseler no College of Dartmouth, nos Estados Unidos, desenhou etapas de treinamento para acostumar os polvos com espelhos e, aos poucos, explorar as habilidades de exploração espacial destes animais.

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“Nossa descoberta levanta o questionamento: os polvos podem ter um mapa interno tridimensional do espaço que eles usam para navegar?”, propõe o artigo. “E podem possuir habilidades ainda mais complexas, como o autorreconhecimento?”

Ensinando um polvo a olhar no espelho

O estudo utilizou 10 polvos, embora apenas três tenham concluído todas as etapas de teste. Todos os “desafios” eram conduzidos sem a presença de humanos, para não afetar os resultados, e repetidos várias vezes.

A estratégia criada para apresentar os espelhos aos animais envolveu quatro etapas:

  1. Um espelho era inserido em um aquário contendo um único indivíduo. A intenção era dar tempo para que o polvo se acostumasse com o objeto.
  2. Caranguejos vivos eram adicionados, um por vez, ao aquário. Quando o polvo conseguia capturar e comer o caranguejo na presença do espelho, o experimento avançava.
  3. Um caranguejo era posicionado fora do campo de visão do polvo, atrás de uma barreira, mas visível no reflexo do espelho.
  4. O polvo era cercado por paredes opacas em frente a um espelho. Do outro lado das paredes, visível no reflexo, era projetada a imagem de um caranguejo (indetectável por qualquer sentido além da visão).

Nas primeiras tentativas, os animais avançavam em direção ao espelho ao ver o reflexo de sua presa. Aos poucos, eles pareceram entender a lógica e começaram a movimentar-se na direção correta. Os três indivíduos que concluíram todos os testes acertaram a direção da presa em 22 das 30 tentativas.

Esquema artístico de quatro fases de um experimento com um polvo, um espelho, paredes opacas e a imagem de um caranguejo
Esquema das quatro fases do experimento, desde o posicionamento do espelho até o teste final com a projeção de um caranguejo • Divulgação/College of Dartmouth

No último teste, em que os polvos estavam cercados por paredes, eles ainda foram capazes de desenvolver uma emboscada. Em vez de contornar as paredes e aparecer diretamente no campo de visão dos “caranguejos”, eles escalavam as barreiras para surpreender a caça.

A cada tentativa, os polvos moviam-se com mais rapidez, demonstrando maior confiança em seu senso de direção e sua compreensão do reflexo no espelho. Os cientistas também calcularam a probabilidade estatística dos moluscos escolherem cada uma das possíveis direções de movimento, e concluíram que a taxa de acerto superava o acaso.

Os polvos reconheciam sua imagem no espelho?

Mary Kieseler deixa claro que o estudo testou a capacidade dos animais de perceber o espaço através do espelho, mas não sua habilidade de identificar suas autoimagens refletidas. Ainda não é possível afirmar que, ao verem seus reflexos, os polvos reconhecem o próprio corpo.

A primeira fase do experimento mostrou, no entanto, que eles são capazes de se acostumar com a presença do espelho e deixar de ver os corpos e objetos refletidos como ameaças.

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