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Transplante capilar é definitivo? Especialistas explicam

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Transplante capilar é definitivo? Especialistas explicam

O transplante capilar costuma ser apresentado como uma solução duradoura para quem deseja recuperar áreas com pouca ou nenhuma quantidade de cabelo. O procedimento redistribui fios de uma região doadora, geralmente localizada na parte posterior ou lateral da cabeça, para áreas em que houve a perda capilar. Mas isso não significa que o resultado permaneça necessariamente igual ao longo dos anos.

A expectativa de que o transplante seja uma solução definitiva pode levar a uma interpretação equivocada. Embora os fios transplantados tenham características que favorecem sua implantação e não caiam mais, o cabelo que já existia na região que recebeu o procedimento continua sujeito aos processos naturais de queda e afinamento. É justamente essa diferença que ajuda a explicar por que algumas pessoas voltam ao consultório anos depois para realizar um novo transplante.

Segundo Thiago Bianco Leal, cirurgião especialista em transplante capilar, a alopecia androgenética, forma mais comum de calvície, não tem cura, mas pode ser estabilizada com tratamento. Por isso, o acompanhamento médico e o controle da progressão da perda capilar são importantes mesmo depois da cirurgia.

“O transplante recupera a região que o paciente já perdeu ou aumenta a densidade nas áreas em que ele perdeu volume. Esses fios transplantados não caem mais. Porém, os fios nativos, que não foram transplantados, continuam com a mesma tendência de atrofia e posterior queda. Se não forem tratados, eles vão avançar e o paciente vai ter necessidade de fazer um novo transplante para uma nova região”, explica.

O que acontece com os fios transplantados?

No transplante capilar, o médico retira unidades foliculares de uma área considerada doadora e as implanta em regiões que apresentam falhas ou menor densidade. O objetivo é redistribuir os próprios fios do paciente para criar um resultado estético mais uniforme.

Uma das principais características dos fios utilizados no procedimento é a maior resistência à ação da di-hidrotestosterona (DHT), hormônio relacionado à calvície de padrão androgenético. Essa particularidade ajuda a explicar por que os fios transplantados tendem a permanecer por muitos anos.

Isso não significa que todo o cabelo da cabeça esteja protegido contra a queda. Os fios que não foram transplantados continuam seguindo sua própria evolução. Assim, uma pessoa pode ter uma boa resposta na área transplantada e, ao mesmo tempo, apresentar redução da densidade de fios que já estavam no couro cabeludo.

Há, porém, situações em que mais de uma sessão já faz parte do planejamento inicial. Pacientes com calvície muito extensa, por exemplo, podem não ter quantidade suficiente de fios na área doadora para cobrir todas as regiões afetadas em uma única cirurgia. Nesses casos, o médico pode priorizar a linha frontal e a região central da cabeça, deixando outras áreas para uma segunda etapa.

Outro motivo para uma nova intervenção é a insatisfação com o resultado. O paciente pode considerar que gostaria de aumentar a densidade, modificar o desenho da linha frontal ou preencher áreas que permaneceram com menor cobertura.

Área doadora tem um limite

Um dos aspectos mais importantes no planejamento do transplante é a quantidade de fios disponível para extração. Como o procedimento usa unidades foliculares do próprio paciente, não é possível retirar uma quantidade ilimitada de cabelo.

O limite de extração varia de pessoa para pessoa e depende de fatores como a espessura dos fios, a textura do cabelo e a densidade folicular por centímetro quadrado. A cada cirurgia, a quantidade disponível para retirada diminui. Se houver extração excessiva, a região doadora pode apresentar falhas e transparência, comprometendo também sua aparência.

Quando os fios da parte posterior e lateral da cabeça não são suficientes, o cirurgião pode avaliar a possibilidade de utilizar folículos de outras regiões, como a barba, por exemplo. Essa alternativa, no entanto, depende das características individuais do paciente.

“Você tem que se programar muito bem para oferecer ao paciente a possibilidade de uma segunda etapa, que nós chamamos de um repasse. Então temos que ter muito cuidado ao transplantar um paciente calvo. Podemos usar também pelos da barba e também da área do peito”, detalha Carlos Eduardo Leão, cirurgião plástico, especialista em transplante capilar e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

“Temos que ter muito critério para avaliação, porque a área doadora é uma área finita”, acrescenta Leão.

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