Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista ao Flow Podcast, que avalia proibir os bancos de emitirem mais de um cartão de crédito por pessoa. O candidato à reeleição criticou duramente os juros cobrados no crédito rotativo, classificando a situação como um “crime”.
“Sabe quanto é que o povo paga? É 493%, 500% no cartão de crédito”, declarou Lula durante a entrevista. Ele afirmou ainda que “estamos discutindo com o Banco Central” uma forma de limitar a quantidade de cartões concedidos a cada pessoa, e que pretende “proibir os bancos de dar mais que um cartão de crédito para as pessoas”.
Para Lucinda Pinto, analista de Economia da CNN, a declaração contém imprecisões relevantes. “O governo não pode tomar essa decisão dessa forma. Quem poderia criar uma lei, uma regra, seria o próprio Banco Central ou o Conselho Monetário Nacional”, explicou.
Segundo ela, o governo federal poderia propor essa discussão, mas não tem competência para tomar a iniciativa de forma unilateral.
Lucinda Pinto destacou, durante o CNN Prime Time, ainda que o cerne do problema do endividamento da população não está no número de cartões que as pessoas possuem, mas sim no limite total de crédito disponível.
“No fim das contas, o que importa é a quantidade de limite de crédito que as pessoas têm, independentemente se elas têm relação com um banco ou com mais de um”, afirmou a analista.
Estrutura já existente
A analista lembrou que já existe uma estrutura em funcionamento para avaliar a exposição das pessoas ao crédito. “O banco já tem as suas regras para entender qual é o limite de crédito que o seu cliente pode ter quando ele concede um cartão de crédito”, disse Lucinda Pinto.
Ela mencionou o Open Finance como um mecanismo criado justamente para ampliar o acesso dos bancos às informações financeiras dos clientes, desde que estes autorizem o compartilhamento de seus dados.
Lucinda Pinto também contestou a afirmação de Lula de que a dívida no cartão de crédito cresce de forma indefinida com as altas taxas de juros. Segundo ela, já existe uma lei que limita o crescimento dessa dívida a até 100% do valor originalmente contraído.
“O juro do rotativo do cartão é muito alto, mas não é essa situação como já foi no passado, em que vai crescendo de forma indefinida. Tem esse limite”, explicou. A analista concluiu que a solução passa por melhorar a estrutura já existente, estimular a adesão ao Open Finance e investir em educação financeira.

