A pressão sobre o farelo de soja voltou a influenciar o mercado e levou a soja a encerrar a sessão desta sexta-feira (02) em baixa na bolsa de Chicago. O contrato futuro para entrega em novembro recuou 0,45% e fechou o dia negociado a US$ 12,78 por bushel.
Segundo a Granar, a soja também terminou a semana em queda, em um movimento associado principalmente à desvalorização persistente do farelo de soja. O produto vem sendo pressionado após os dados que apontaram estoques de milho nos Estados Unidos acima das expectativas, cenário que tende a ampliar a disponibilidade do cereal para o mercado de ração animal e limitar o espaço para o farelo de soja.
O contrato do farelo de soja para dezembro caiu US$ 6,39 na sessão e encerrou o dia a US$ 383,05 por tonelada. Na semana, a queda chegou a 6,69%, em comparação com os US$ 410,50 por tonelada registrados no fechamento anterior.
Além da pressão exercida pelo farelo, o avanço da colheita de soja nos Estados Unidos também contribuiu para o movimento negativo. As condições climáticas previstas para os próximos sete dias no Centro-Oeste norte-americano devem favorecer o trabalho no campo e permitir a continuidade da retirada da produção.
Milho
Os dados de estoques dos Estados Unidos continuam pressionando as cotações do milho em Chicago. O contrato futuro para entrega em dezembro recuou 0,90% e encerrou a sessão negociado a US$ 4,97 por bushel.
Segundo a Granar, os preços voltaram a cair e fecharam a semana em território negativo, sem conseguir recuperar as perdas provocadas pelos números divulgados na quarta-feira pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O órgão apontou estoques de milho de 53,22 milhões de toneladas em 1º de setembro, acima da estimativa de 48,72 milhões de toneladas feita por analistas privados.
O volume surpreendeu o mercado e ganhou peso por não ter sido antecipado nas estimativas oficiais. O cenário ocorre em um momento em que a produção norte-americana segue com perspectiva de superar novamente a marca de 400 milhões de toneladas.
As previsões de tempo seco para os próximos sete dias no Centro-Oeste dos Estados Unidos também contribuíram para pressionar os preços, já que as condições favorecem o avanço da colheita e a entrada de novos volumes de milho no mercado. Segundo a Granar, uma eventual intensificação da queda das cotações pode ainda estimular produtores a acelerar as vendas.
A StoneX reduziu a estimativa para a safra norte-americana de milho de 411,67 milhões para 409,34 milhões de toneladas. A consultoria também revisou para baixo a projeção de produtividade média, de 114,80 para 114,30 quintais por hectare.
Mesmo após os ajustes, as estimativas da StoneX permanecem acima das projeções divulgadas pelo USDA no mês passado, de 401,33 milhões de toneladas para a produção e de 112,04 quintais por hectare para a produtividade média.
Trigo
O preço do trigo encerrou a sessão praticamente estável na bolsa de Chicago, com o contrato para entrega em dezembro registrando alta de 0,04% e fechando negociado a US$ 6,83 por bushel.
Segundo a Granar, apesar da estabilidade no pregão, o trigo acumulou uma semana negativa nas bolsas americanas. Entre os fatores que pressionaram as cotações estão a fraqueza do milho, que também é utilizado na alimentação animal, e a valorização do dólar em relação ao euro nas últimas semanas.
O câmbio também aumentou as expectativas de participação do trigo da Europa Ocidental em uma licitação da Arábia Saudita para a compra de 535 mil toneladas. Segundo informações da Reuters citadas pela Granar, as restrições às exportações do Mar Negro têm levado importadores a buscar alternativas de fornecimento.
O Egito também voltou a demonstrar interesse pelo trigo francês depois de adquirir vários carregamentos nas últimas semanas. Um comerciante alemão ouvido pela Reuters afirmou que compradores egípcios negociaram novas compras de trigo francês nesta semana, com ofertas próximas de US$ 330 por tonelada.
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