Em meio a uma rotina marcada por notificações, redes sociais e pela sensação de que é preciso estar sempre produzindo, uma nova tendência propõe olhar para um estilo de vida bem menos acelerado. Batizado de “nonna maxxing”, o movimento ganhou repercussão entre jovens da Geração Z ao transformar hábitos associados às avós italianas em inspiração para desacelerar o cotidiano.
O nome combina nonna, palavra italiana para “avó”, com maxxing, expressão usada na internet para se referir à ideia de maximizar determinado aspecto da vida. Na prática, porém, a tendência segue quase o caminho contrário da busca incessante por desempenho.
A tendência ganhou repercussão internacional ao longo de 2026 e foi abordada por veículos como The Guardian e a agência italiana ANSA.
Por que as avós italianas conquistaram a Geração Z?
No imaginário construído em torno da tendência, elas representam uma rotina na qual atividades simples ocupam mais espaço e nem todo momento precisa ser convertido em produtividade ou compartilhado nas redes sociais.
A ANSA aponta que o “nonna maxxing” se popularizou em meio ao interesse de jovens por hábitos do passado e à pressão contemporânea para estar constantemente produzindo, melhorando o próprio desempenho e transformando experiências pessoais em conteúdo. Caminhadas diárias, compras em mercados e estabelecimentos de bairro, alimentos da estação e convivência com amigos e parentes aparecem entre os costumes associados às avós italianas pela tendência.
O movimento também chama atenção por uma contradição. Embora incentive uma rotina menos conectada, foi na internet que as nonnas conquistaram novos admiradores. Ainda assim, o “nonna maxxing” idealiza parte desse estilo de vida e não representa a realidade de todas as avós italianas.
Como adotar esses hábitos no dia a dia?
Não é preciso mudar completamente a rotina para incorporar algumas práticas associadas ao “nonna maxxing”. A proposta está em desacelerar alguns momentos do cotidiano e abrir espaço para atividades que não dependam constantemente das telas.
- Cozinhar mais em casa: preparar a própria comida é um dos hábitos mais associados à tendência, que também valoriza o momento das refeições e o compartilhamento à mesa.
- Criar momentos longe do celular: reservar períodos do dia para comer, conversar ou descansar sem acompanhar notificações é uma das maneiras de diminuir a presença das telas na rotina.
- Caminhar sem transformar tudo em desempenho: no movimento, a caminhada aparece como uma atividade cotidiana, sem a necessidade de transformar cada passeio em metas, números ou registros em aplicativos.
- Resgatar atividades manuais: cuidar de plantas, cozinhar, costurar e realizar outros trabalhos manuais são formas de ocupar o tempo com tarefas que exigem atenção ao presente.
- Valorizar encontros presenciais: refeições compartilhadas, conversas e momentos com familiares e amigos também fazem parte do estilo de vida celebrado pela tendência.
Apesar da associação com uma vida mais tranquila, o termo é uma tendência de comportamento, e não um método ou tratamento comprovado contra o estresse. Não existe uma fórmula única para adotá-lo, já que o fenômeno parte de uma visão idealizada sobre alguns hábitos atribuídos às avós italianas.

