O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, enfrenta nova pressão nesta sexta-feira (2), com protestos exigindo a renúncia do chefe da Comissão Eleitoral devido a uma controversa revisão das listas de eleitores.
As manifestações são realizadas pelo partido CJP (Cockroach Janta Party, ou “movimento das baratas”), que é liderado pela Geração Z, e uma coalizão distinta de grupos estudantis e de ativistas.
O influente CJP realizou um comício em Mumbai e planeja expandir as manifestações por todo o país nos próximos dias, enquanto grupos de estudantes e da sociedade civil se reuniram no Jantar Mantar, em Nova Délhi.
Estudantes se reuniram em Délhi na manhã desta sexta, mas a polícia retirou alguns deles à força em ônibus e os levou embora; ao mesmo tempo, várias estações de metrô próximas permaneceram fechadas e a segurança foi reforçada.
Policiais alertaram repetidamente, por meio de alto-falantes, contra aglomerações de mais de cinco pessoas, enquanto centenas de policiais e agentes de forças paramilitares cercavam o local do protesto, que estava protegido por barricadas.
Pranav, um estudante do estado de Kerala, disse, enquanto a polícia o empurrava para dentro de um ônibus, que eles estavam protestando para salvar a democracia indiana.
Os protestos marcam a mais recente escalada de uma disputa que colocou a Comissão Eleitoral da Índia — há muito considerada uma das instituições mais confiáveis do país — sob críticas sem precedentes.
A principal alegação dos manifestantes é que a comissão manipulou as listas de eleitores de maneira a favorecer o partido de Modi, o BJP (Bharatiya Janata Party). Tanto a comissão quanto o governo negaram as acusações.
A pressão sobre o comissário eleitoral Gyanesh Kumar intensificou-se no mês passado, após o jornal Indian Express noticiar que os dois adjuntos do chefe eleitoral haviam manifestado preocupações formalmente pelo menos 14 vezes nos últimos 10 meses em relação a revisões das listas de eleitores, procedimentos de registro e sistemas digitais da comissão.
A Comissão Eleitoral afirmou que divergências de opinião são normais em deliberações internas.
Comissão Eleitoral inicia revisão das listas de eletiroes
A principal alegação dos manifestantes e dos partidos de oposição é que a comissão manipulou as listas de eleitores de maneira a favorecer o partido Bharatiya Janata, de Modi. Tanto a comissão quanto o governo negaram as acusações.
Na quarta-feira (30), a aliança INDIA — um bloco de oposição formado por mais de duas dezenas de partidos liderados pelo Congresso — anunciou que iniciaria protestos exigindo a renúncia de Kumar em 6 de outubro.
Todos os parlamentares da oposição planejam marchar até a sede da Comissão Eleitoral em Délhi, segundo o grupo.
Em uma medida que parecia visar à redução das tensões, a Comissão Eleitoral instruiu, nesta sexta-feira, as autoridades a registrarem novos eleitores aptos a votar, bem como aqueles que haviam sido omitidos das listas eleitorais.
O CJP, um movimento de jovens que surgiu no início deste ano a partir da frustração online com o desemprego e o vazamento de provas de exames, tornou-se uma força política inesperada.
“Agora que Modi está no poder há mais de 12 anos, novos desafios surgem de diferentes setores da sociedade, o que torna difícil para ele rotulá-los como forças antinacionais”, afirmou o analista político Rasheed Kidwai.
Ele acrescentou que uma parcela da juventude do país está questionando a credibilidade de Modi, e que esse grupo exerce influência sobre 40% da população.
O que é o movimento “das baratas” da Índia, que levou milhares às ruas

