O investidor estrangeiro voltou à bolsa brasileira em setembro, em meio ao clima de incertezas que se acentuou nas últimas semanas com a proximidade do primeiro turno das eleições, neste domingo (4).
No mês passado, a entrada líquida do dinheiro internacional foi positiva em R$ 9,11 bilhões, segundo dados da consultoria Elos Ayta publicados nesta sexta-feira (2). O número não considera aportes de IPOs e Follow Ons.
O resultado reverte o saldo negativo de R$ 18,12 bilhões registrado em agosto, o pior desempenho mensal desde janeiro de 2022.
Apesar da recuperação em setembro, o terceiro trimestre encerrou com saldo negativo de R$ 6,45 bilhões. O desempenho devolve parte das perdas registradas no segundo trimestre, quando o resultado foi negativo em R$ 19,52 bilhões.
Mesmo com dois trimestres seguidos no vermelho, a parcial de 2026 ainda está positiva, com entrada de R$ 27,4 bilhões – superando toda a entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira no ano passado (R$ 25,47 bilhões).
“O resultado evidencia duas dinâmicas no fluxo estrangeiro. Setembro trouxe uma recuperação expressiva após a saída de agosto, enquanto o balanço trimestral permaneceu negativo pelo segundo período consecutivo”, diz Einar Rivero, CEO da Elos Ayta.
“Ainda assim, a intensidade das retiradas diminuiu: a saída do terceiro trimestre foi aproximadamente 67% menor que a registrada entre abril e junho”.
Eleições e Oriente Médio no radar
O retorno do investidor internacional ao mercado doméstico contribuiu para a retomada de fôlego do Ibovespa, que fechou o mês passado com avanço acima de 5%, o maior salto mensal desde janeiro deste ano.
A recuperação ocorre em um momento difuso no cenário eleitoral, com pesquisas mostrando uma tendência de vitória bastante estreita entre os principais concorrentes ao Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo analistas, a expectativa de mudança na política econômica a partir do próximo ano sustenta parte deste otimismo com os ativos locais.
A alta no mês também foi sustentada pela manutenção dos preços do petróleo no patamar de US$ 100 – reflexo da falta de perspectivas para resolução nas tensões no Oriente Médio no curto prazo.

