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Homem é preso no Reino Unido por suspeita de plano terrorista em base aérea

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Homem é preso no Reino Unido por suspeita de plano terrorista em base aérea

Um cidadão com dupla nacionalidade britânica e iraniana foi preso sob a suspeita de “preparação de atos terroristas” em conexão com um suposto plano para atacar uma base aérea do Reino Unido utilizada pelas forças armadas dos Estados Unidos.

O homem, de 25 anos, foi preso em Westminster, Londres, na quinta-feira (1º) — um dia depois de o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmar que havia “fortes indícios” do envolvimento do Irã no incidente; declarações que pareciam corroborar a avaliação dos EUA de que o episódio envolvia um agente estrangeiro.

A polícia informou que dois imóveis na região onde ocorreu a prisão também foram revistados.

“A investigação sobre as circunstâncias dos eventos em Gloucestershire é extremamente complexa, e nossas equipes especializadas estão trabalhando em múltiplas linhas de investigação”, afirmou Vicki Evans, coordenadora nacional sênior de Policiamento Antiterrorismo.

“Como deixamos claro, estamos analisando todas as possibilidades — incluindo o possível envolvimento de um Estado estrangeiro”, disse ela.

Em declaração à BBC na quarta-feira (30), Burnham afirmou: “Há fortes indícios de que o Irã teve participação no que aconteceu durante o fim de semana na base da RAF em Fairford; no entanto, trata-se, naturalmente, de uma investigação policial em curso, complexa e séria”.

“Daremos mais detalhes oportunamente, mas podemos confirmar nossa convicção de que o Irã teve participação no ocorrido”, disse ele.

“Obviamente, eu não diria isso levianamente”, afirmou Burnham, ressaltando que o Reino Unido estava trabalhando “em estreita colaboração” com seus colegas nos EUA.

‘Acusando o lugar errado’

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse na terça-feira (29) que a suposta trama terrorista “claramente envolveu a atuação de um ator estrangeiro”, depois que Trump afirmou que os suspeitos “poderiam estar” ligados ao Irã.

Na quarta-feira (30), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse à Fox News que Israel havia repassado informações de inteligência ao Reino Unido indicando que “haveria um ataque, e que se tratava de um ataque patrocinado pelo Irã”.

Ele não forneceu detalhes sobre o tipo de informação de inteligência compartilhada. A CNN solicitou um posicionamento ao gabinete do primeiro-ministro britânico.

Em resposta, o Irã classificou as acusações como infundadas e convocou o embaixador britânico em Teerã, segundo relatos da mídia estatal iraniana na quinta-feira (1º).

Durante a reunião, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, teria instado Londres a rever o que chamou de “abordagem inadequada” em relação a Teerã.

O Irã já havia negado qualquer envolvimento antes das declarações de Burnham, e a embaixada iraniana em Londres havia criticado duramente as notícias que sugeriam uma ligação entre Teerã e o incidente, afirmando “rejeitar categoricamente e condenar veementemente as recentes especulações infundadas e maliciosas” sobre o envolvimento iraniano.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse na quarta-feira que o Reino Unido estava “acusando o lado errado”.

Os comentários de Burnham surgem em meio a questionamentos persistentes — de ambos os lados do Atlântico — sobre o incidente, que desencadeou uma grande operação de segurança na região e gerou preocupação internacional.

Outros cinco homens foram presos na madrugada de domingo (27), nas proximidades de uma base da RAF (Força Aérea Real) em Fairford, no oeste da Inglaterra — de onde bombardeiros dos EUA têm realizado missões contra o Irã —, sob suspeita de crimes relacionados a explosivos e, posteriormente, acusações de terrorismo.

Os suspeitos — identificados apenas como cidadãos britânicos com idades entre 23 e 25 anos e procedentes da região de Londres — foram rapidamente liberados sob fiança, após a polícia confirmar que nenhum explosivo foi encontrado em três vans no local.

A liberação deles provocou críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou: “Eu não teria feito isso”. A polícia informou, na quinta-feira, que os cinco homens continuam em liberdade sob fiança.

Na quarta-feira, Burnham procurou tranquilizar tanto o público britânico quanto as autoridades americanas de que havia tomado a decisão correta, afirmando: “Acho que as pessoas precisam entender que, quando se diz ‘libertado’, isso não significa o que elas podem imaginar. Obviamente, trata-se de uma libertação sob as condições de fiança mais rigorosas possíveis”.

“Temos conversado com nossos homólogos nos Estados Unidos durante toda a semana para explicar o que está acontecendo aqui e como os procedimentos estão sendo conduzidos”, disse ele, acrescentando ter “total confiança” na forma como os serviços de segurança estão lidando com o caso.

Especialistas jurídicos afirmam que a liberdade sob fiança é raramente concedida quando existem indícios sérios de crimes relacionados ao terrorismo.

As leis antiterrorismo do Reino Unido permitem que a polícia mantenha suspeitos detidos por até 14 dias antes de formalizar uma acusação.

Trump sugeriu que o grupo estava sob vigilância. As autoridades britânicas mantiveram uma postura mais cautelosa, mas moradores das proximidades da base relataram um esquema de segurança reforçado no dia anterior às prisões.

O embaixador dos EUA no Reino Unido, Warren Stephens, elogiou ambos os países pela colaboração, afirmando que estão trabalhando juntos para “manter nossos cidadãos seguros, tanto em casa quanto no exterior”.

Um telefonema e um fazendeiro

Mais cedo, na quarta-feira (30), a imprensa britânica noticiou que um dos suspeitos do suposto plano ligou para a polícia pouco antes de ser preso, aumentando o mistério.

Tanto o jornal “The Times” quanto a BBC informaram que a ligação do suspeito para o 999 — o número de emergência utilizado no Reino Unido — foi feita quase uma hora antes de uma agricultora alertar as autoridades, após avistar um grupo de homens mascarados e três vans brancas.

O jornal “The Times” noticiou que a polícia já estava no local quando chegou a ligação posterior do morador da região.

A publicação acrescentou que os agentes investigavam se o suspeito havia desistido da ação ou se fazer tal ligação fazia parte do plano.

Em suas declarações públicas mais recentes, a polícia britânica indicou que pode ter havido mais de um fator determinante para o início da operação.

“Uma resposta policial foi acionada na madrugada de domingo devido a diversas informações recebidas, incluindo uma ligação de um cidadão sobre vários veículos agindo de forma suspeita nas proximidades da RAF Fairford”, disse aos repórteres Laurence Taylor, um oficial sênior da polícia antiterrorismo.

Taylor afirmou que “não foram encontrados artefatos explosivos improvisados” nos veículos utilizados pelos homens, mas que “uma certa quantidade de gasolina foi apreendida”.

A investigação continua em andamento, disse Burnham.

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