A Oscilação Antártica (AAO) é uma das principais teleconexões meteorológicas responsáveis por influenciar o deslocamento de frentes frias da Antártida em direção à América do Sul.
O fenômeno natural se caracteriza pela variação no comportamento dos ventos de oeste e da pressão atmosférica entre o continente antártico e a região sul da Patagônia. A AAO não tem duração fixa e pode atuar no mesmo padrão por prazos que variam de algumas semanas até por alguns meses.
Além disso, o padrão do fenômeno determina a frequência de frentes frias no Brasil, o que impacta diretamente os índices de chuva e as temperaturas registradas no país.
As duas fases do fenômeno
Os meteorologistas classificam a atuação da Oscilação Antártica em dois modos principais: a fase positiva e a fase negativa. A alternância entre as duas etapas muda a dinâmica do clima na América do Sul.
Na fase positiva, a pressão atmosférica fica relativamente mais alta no sul da Patagônia e mais baixa sobre a Antártida. A configuração fortalece os ventos de oeste e mantém a maioria das frentres frias e ciclones extratropicais retidos ao sul, próximos ao polo, o que dificulta a chegada do ar frio e da chuva no Brasil.
Já na fase negativa, ocorre o padrão inverso. A pressão fica mais baixa na Patagônia e mais alta na Antártida. Os ventos de oeste enfraquecem ou se deslocam mais para o norte. Com o bloqueio enfraquecido, as massas de ar polar e as frentes frias conseguem avançar com maior frequência em direção ao território brasileiro.
Relação com o El Niño
De acordo com a Climatempo, estudos científicos mostram que a fase negativa da Oscilação Antártica tende a ser mais frequente em anos marcados pela presença do El Niño.
A influência do padrão pôde ser observada recentemente. A prevalência da fase negativa da AAO durante a primeira quinzena de setembro de 2026 explicou o excesso de chuva e as temperaturas abaixo da média histórica registradas na região Centro-Sul do Brasil.
Com a projeção de fortalecimento do El Niño entre o meio da primavera de 2026 e o início do verão 2026/2027, a expectativa é que os períodos de fase negativa da AAO continuem recorrentes.
Como consequência, o Centro-Sul do país permanece sob risco de novos episódios de chuva volumosa e atípica ao longo da estação.

