A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) está alertando para possíveis impactos dos sucessivos reajustes do QAV (querosene de aviação) na conectividade aérea.
Segundo a associação, os aumentos afetam e dificultam a ampliação do acesso da população ao transporte aéreo.
O gasto do setor com o combustível ao longo deste ano já é R$ 7,6 bilhões maior do que o projetado antes do conflito.
Atualmente, o combustível representa 46% das despesas operacionais do setor, sendo um dos principais componentes do custo das companhias.
A manifestação ocorre após na última quinta-feira (1º) a Petrobras anunciar um aumento de 11,8% no preço de venda do combustível.
O reajuste de outubro se dá após uma alta média de cerca de 13,9% nos preços em setembro, comparado com agosto.
No acumulado de 2026, o aumento é de 53,3%, correspondente a R$ 1,94 por litro em comparação ao preço vigente em dezembro de 2025.
Em nota, a associação afirmou que a alta acumulada desde o início dos conflitos no Oriente Médio chegou a 90%. Desde fevereiro, o preço do litro do combustível saltou de R$ 3,31 para R$ 6,28.
Como mostrou a CNN em maio, aumento no custo do combustível vem pressionando fortemente as operações das empresas aéreas, principalmente em rotas regionais e de menor demanda.
À época, o presidente da Abear, Juliano Noman, afirmou que cerca de 121 voos estavam sendo cancelados diariamente no país diante da alta.
As regiões Norte e Nordeste estão entre as mais afetadas pelos cortes na malha aérea.
Em junho, o CEO da Concessionária dos Aeroportos da Amazônia (que integra o grupo Vinci Airports), Kleyton Mendes, e administra sete aeroportos da região (Manaus, Tefé, Tabatinga, Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Porto Velho e Boa Vista) avaliou que diante do cenário internacional e volatilidade no QAV, a demanda da região ficaria estável.
“A expectativa da Vinci é encerrar o semestre com pequena redução, de aproximadamente 1%, na oferta total de assentos”, afirmou à CNN.
Em junho, durante entrevista ao Conexão Infra, o executivo avaliou que o setor aéreo brasileiro manteve um cenário de otimismo cauteloso, mesmo diante dos desafios atuais.
Segundo Mendes, as companhias aéreas conseguiram se organizar para preservar a taxa de ocupação planejada e minimizar os impactos da alta dos custos.
Embora o combustível seja produzido principalmente no país, a política de preço do querosene de aviação é atrelado aos preços internacionais.

