O PT entrou em disputa com a Prefeitura de São Paulo por causa do último ato de campanha previsto antes do primeiro turno da eleição. O partido havia convocado uma caminhada da Rua Augusta até a Avenida Paulista para o sábado (3), evento descrito como uma tradição do partido, que já havia realizado ato semelhante em 2022.
De acordo com o analista de Política da CNN Pedro Venceslau, o diretório do PT marcou uma reunião com autoridades municipais — entre elas SPTrans, CET, Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana — para informar o trajeto e o porte do evento, conforme exige a legislação.
No entanto, o partido foi surpreendido ao receber um ofício da prefeitura informando que o ato não poderia ser realizado por orientação do TRE (Tribunal Regional Eleitoral).
Disputa de narrativas
Em resposta, o PT divulgou uma nota afirmando que a prefeitura tentava criar confusão para prejudicar a mobilização, atribuindo à decisão um cunho político. O partido argumentou ainda que a legislação exige apenas o aviso prévio do evento, sem prever qualquer proibição para que ele aconteça.
Pedro Venceslau apurou junto à Prefeitura de São Paulo o conteúdo do ofício enviado pelo TRE à administração municipal.
Segundo o analista, o documento determina que a prefeitura mantenha a Avenida Paulista desimpedida de feiras livres e outros eventos no sábado e no domingo, e que, no domingo, a via seja liberada para a circulação de veículos — referência à prática habitual de fechar a avenida para atividades de lazer aos domingos.
“De fato esse ofício dá margens para interpretações”, afirmou Venceslau.
“Dá para interpretar que a prefeitura estava seguindo uma orientação do TRE, mas também dá para interpretar que o TRE permite a mobilização, como sempre aconteceu aqui em São Paulo.”
Caminhada confirmada
Após consultar advogados eleitorais e os próprios advogados do partido, o PT decidiu manter o evento. Segundo Venceslau, o partido avalia que a tentativa da prefeitura foi justamente para desmobilizar a militância petista e esvaziar um ato que, segundo os organizadores, já estava confirmado.
A prefeitura, por sua vez, alegou estar apenas cumprindo a orientação do Tribunal Regional Eleitoral. A caminhada na Avenida Paulista, portanto, está mantida para o sábado, com a presença prevista de lideranças nacionais do partido.

