Uma médica em Richmond, a capital do estado americano da Virgínia, viu um sonho virar pesadelo ao ser atacada por um animal silvestre durante a noite.
A gastroenterologista foi acordada de repente por um morcego que tentava entrar em sua boca, lutando para passar entre seus dentes.
“Eu sonhei que tinha um pequeno camundongo tentando entrar na minha boca”, disse. “Então, meio dormindo, eu coloquei a mão na boca, achando que ainda estava sonhando.”
Eu encostei em algo meio gosmento, um pouco peludo e gelado. E de algum jeito, eu soube imediatamente que era um morcego. Esse morcego estava realmente tentando se enfiar entre os meus lábios, dentro da minha boca. Estava tentando passar pelos meus dentes.
Krista Edelman, médica nos Estados Unidos
“Não sei. Isso não é normal, nunca ouvi falar disso, nunca vi morcegos na minha casa”, continuou. Ela não deixou a confusão durar muito tempo, e partiu para a ação. “Eu peguei esse morcego e o arremessei para o outro lado do quarto, e gritei, avisei meu marido que tinha um morcego tentando entrar na minha boca.”
Foi neste momento que o desespero deu lugar ao treinamento médico da profissional, que sabia o protocolo a seguir ao ter contato com um animal silvestre.
“Meu marido saiu correndo para pegar um taco, mas como médica, eu sabia que nós deveríamos tentar capturar o morcego para fazer testes, ver se ele tinha raiva, porque a raiva é relativamente comum em morcegos”, explicou. “Então eu disse: ‘pausa’. E meu marido colocou luvas, pegamos um balde e de alguma forma ele conseguiu prender o morcego.”
Krista ligou para o órgão responsável pelo recolhimento da fauna silvestre na cidade e entregou o morcego ainda com vida. O intuito era examinar o animal para confirmar ou descartar a presença do vírus da raiva.
Na época da publicação do relato, ela ainda não sabia o resultado dos testes. Em entrevista ao jornal local CBS6, ela confirmou que o morcego não estava infectado.
A incerteza não a impediu de buscar ajuda imediata após o susto: “Porque eu tive contato direto e meu marido também, viemos para o pronto-socorro e eles me deram uma imunoglobulina além do protocolo vacinal, porque eu nunca me vacinei contra a raiva.”
Edelman usou sua experiência para enfatizar a importância da precaução e da proatividade em caso de contato com morcegos e outros animais silvestres. Ela alertou para a necessidade de procurar assistência médica para exames e vacinas logo depois do ocorrido, mesmo se não tiver certeza se foi arranhado ou mordido: “Não assuma que está tudo bem.”
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Caso de morcego na boca levou à morte no Canadá
Um estudo de caso publicado no Canadian Medical Association Journal destacou um episódio similar cujas consequências foram fatais. O texto descreve uma criança do sexo masculino que acordou com um morcego em seu rosto, e o afastou com um movimento brusco.
O morcego foi capturado em uma panela, mas, depois, foi liberado do lado de fora da casa, impedindo a detecção da raiva.
Por não ter ferimentos aparentes, os pais do menino não buscaram atendimento médico. Os primeiros sintomas apareceram apenas 19 dias depois do ataque e foram atribuídos a outras doenças, atrasando o tratamento.
Internado com úlceres nas gengivas e inchaço no rosto, o paciente chegou a ser diagnosticado com herpes e gengivoestomatite herpética. Ele recebeu alta, mas precisou voltar ao hospital na manhã seguinte após piora.
Quatro dias depois, um teste finalmente confirmou a presença do vírus da raiva. No entanto, após três dias, a criança morreria ainda internada.

O que fazer ao ter contato com um morcego?
O encontro com um morcego em casa ou em locais públicos requer respostas proativas e rápidas para mitigar possíveis danos.
A raiva é uma doença grave e fatal na maioria dos casos. Sua transmissão ocorre principalmente pelo contato da saliva de animais infectados com os olhos, nariz, boca ou feridas abertas. Quando os primeiros sintomas aparecem, o quadro, em geral, passa a ter até 100% de chance de morte.
A detecção e profilaxia devem ocorrer antes mesmo de notar sinais, imediatamente após ter contato com um possível transmissor, para impedir que a infecção se desenvolva.
- Caso haja ferimento visível, lave com água e sabão durante 15 minutos. Aplique álcool isopropílico para desinfecção.
- Não tente matar ou capturar o animal. Entre em contato com o órgão local de controle ou vigilância de zoonoses para solicitar a retirada do animal.
- Procure atendimento médico imediatamente. Descreva o incidente em detalhes.
- Como prevenção, mantenha seu protocolo vacinal e a vacina antirrábica dos animais domésticos em dia.

